22 de outubro de 2009

Diálogo de Adão e Eva;

Dois;

[...] Caminhou apressada pelas calçadas observando a água correr entre os vãos da mesma, tentou conter as lágrimas, mas foi impossível. Colocou as duas mãos sobre a cabeça, e sentiu seus cabelos molhados.
Estava chovendo.
“Por favor, chuvinha, lave toda a minha alma. Limpe toda essa sujeira.” Pedia ela incessantemente, mas tudo parecia estar contra ela. Decidiu então correr todos os quarteirões, correr à esmo já que não tinha mais para onde ir. Sua última chance havia sido descartada, não havia mais jogadas para apostar.
Estava tudo perdido.
Pensou em voltar para a casa da mãe, mas achou muita falta de consideração para com a mesma, que tanto precisava de paz. Não podia contar com seu pai, nem com outros familiares. Amor? Aquele se foi no primeiro momento em que teve oportunidade.
Estava tudo perdido.
Ela ainda mantinha o violão velho sobre as costas, e alguns trocados no bolso, mas a única coisa que conseguia fazer era correr, correr de seu destino. Ela não sentia seus pés no chão, era como se estivesse em outra dimensão, não conseguia pensar com clareza. A única coisa que ela queria fazer era chorar, descontroladamente; mas não achou justo dar esse gostinho. Correu tão apressadamente que acabou chegando ao lugar que menos queria encontrar. Lá estava ele, e nunca iria sair do lugar; aquele banquinho de praça idiota. Não pôde evitar, seus olhos se encheram de lágrimas que logo transbordaram, escorrendo pelo seu rosto. Era o pior dos banquinhos, na verdade o único ali; os outros haviam sido destruídos por vândalos. Aos soluços, resolveu sentar-se ali, mesmo com a chuva caindo incessantemente, sentou-se e colocou as mãos nas laterais do banco com cautela, como se ele fosse quebrar a qualquer momento. Lembrou-se do diálogo:
- Estou cansada.
- Porque não vai para a casa? Ainda são nove horas, sua mãe não vai brigar com você.
- Não quero ir para casa, sabe que não gosto de lá.
- Mas se acontecer algo grave com você, já que não gosta de casa, vai correr para onde?
Era como se ele previsse o futuro, como se soubesse o que estava acontecendo, mas ela nunca dissera nada, sempre ficou muito calada e isso o deixava chateado, era como se ela não confiasse nele. E ela não confiava.
- E se acontecesse alguma coisa muito ruim com você, para onde correria?
Ele nunca a respondeu.

9 de outubro de 2009

Cabo das Tormentas;

Sabe, ela era louca, a Letízia.

Ela vivia andando de bicicleta com aquele violão nas costas. Saía de manhã e voltava só de tardezinha, e ninguém sequer suspeitava o que ela fazia. Na verdade ninguém sabia o que ela fazia, e então especulavam. Quantas vezes você escutou a mãe da sua amiga dizer “eu não quero você com aquelazinha!” Na verdade, você nunca deve ter ouvido, porque elas nunca dizem isso quando você está presente, mas já deve ter percebido um olhar estranho ou uma torcida de nariz. Bom, Letízia passa por essa situação sempre; por isso quase não tem amigas.

Acontece que Letízia é muito solta e gosta de passar a maior parte do tempo fora, por isso some logo de manhã e só volta de tarde. Eu nunca achei que aquela garota tão pequena fizesse algum mal para alguém enquanto estava fora; talvez ela tenha problemas em casa, problemas dentro dela mesma. Ela parece ser aquele tipo de pessoa que dá mais razão aos sentimentos que carrega, e depois que acontece qualquer desilusão, sofre. Mas nunca a achei muito frágil, só em alguns momentos. Letízia já se mostrava forte o suficiente para mim, ao tocar aquele violão velho e ter o dom de espantar todos os sentimentos ruins. É, acho que a parada da Letízia é mais para o meio, é dentro do coração.


Coração Leviano - Prefácio.

5 de outubro de 2009

3 de outubro de 2009

Pronome Possesivo;

Arranco-lhe todos os dentes da boca, arranco um por um até que fique tão vazia a ponto de ninguém mais querer beijá-la. Arranho toda a sua pele, para que minhas marcas fiquem presas em você toda a vida. Capaz sou de quebrar tuas pernas, para que nunca saia de meus domínios.

Também seria capaz de me submeter ao seu doentio amor entre entranhas, toda noite sentir você em mim, suspiros e mordidas, beijos e cigarros a parte. Escutar suas ideias e conceitos, fabricados por sua mente doentia, sem saber que sequer sou capaz de perceber que a única mente doentia que há entre nós, é a que carrego comigo.

Coração Leviano;

Não sei amar pela metade, não consigo não me entregar por inteiro. Eu não consigo não escutar o meu coração, e nem manter a mesma opinião. Sou de lua, mudo de ares e gostos repentinamente. Choro e dou risada abundantemente. Sou calma, mas também consigo ficar nervosa. Sou muito esquecida, mas há coisas que são impossíveis de não lembrar.

27 de setembro de 2009

À Esmo;

E lá estava ela, com os joelhos cansados de tanto tremer. As lágrimas rolavam de forma lastimável pelo seu rosto, e ela mais uma vez não sabia bem o que fazer. Qualquer um diria que é coisa da idade, mas ela sabia que não era. Seu problema estava bem a sua frente, exibindo sorrisos e a mais pura felicidade ao lado de uma pessoa que ocupava o seu lugar. Levantou-se, e os rostos conhecidos à sua volta não eram capazes de amenizar a sua dor. Queria parar de pensar, completamente. Talvez assim o sofrimento diminuísse.

Procurou em mãos conhecidas a lata de cerveja que ganhara de um desconhecido, não a encontraria mais. O que iria distrair sua mente então? Levantou-se bruscamente, em busca de algo que realmente funcionasse, em busca de algo que resolvesse seu problema imediatamente. Talvez esse seja o seu problema, querer a resposta de suas perguntas, a solução de seus problemas rapidamente. Saiu em disparada, procurando algum rosto conhecido que pudesse ajudá-la. Não esperava que uma das pessoas que mais detestava fosse oferecer ajuda, algo que ela desejava desde sempre. Pegou o cigarro já tragado de sua mão e tragou, como se fosse a última coisa que faria. Correu em direção contrária das pessoas que passavam por ali, estava agitada e sequer sabia para onde ir. Por fim, sentou ao chão. Derrotada. Com o cigarro em sua mão e as esperanças açoitando seu pensamento. Torceu o nariz para um casal que se beijava à sua frente, e pensou no quanto seria bom se estivesse na rua agora, andando à esmo. Pelo menos não precisaria passar por tudo isso. Recostou a cabeça sobre a parede e tragou pela última vez, viu a fumaça dançar pelo ar e pediu que dessa vez ela levasse seus problemas com ela. Mas seu problema, a nicotina não podia solucionar, o tempo era o seu remédio, por mais que ela tentasse negar.

25 de setembro de 2009

Por Antecipação;

Por antecipação, pensei que daria certo. Pensei que seria perfeito. Construí sonhos, destruí alguns. Pensei em possibilidades, procurei hipóteses. Pensei que tudo que imaginei até aqui, daria certo. Fiz um castelo de areia, como uma criança na praia, e por fim, vi as ondas o destruírem e levá-lo para longe.

- Precisa parar de fazer planos. – disse a mim mesma.

A dor que eu senti naquele momento, nenhuma outra pessoa no mundo pode imaginar, pois não existem situações iguais ou parecidas, cada um sabe quanta esperança depositou em determinado sonho e sabe também o quanto foi duro deixar para trás.

No fim das contas as dores são todas nossas, estamos sozinhos.

19 de setembro de 2009

[...]

Não gosto de me apaixonar. Nunca gostei. E digo mesmo, quando o assunto é amor, sou uma mal amada. Isso me deixa cada dia mas frustrada, amar demais e não ser correspondida. Talvez o meu destino seja ficar sozinha, sem amigos e sem amor. Só eu e o meu amor próprio.

17 de setembro de 2009

Indeterminado;

Não sei se você algum dia já sentiu a sensação da desilusão. Confesso que é um sentimento confuso, ou é apenas eu complicando demais as coisas como sempre. Só sei que sinto um grande vazio quando penso em você, e isso tem me incomodado bastante. Onde está aquela tristeza que me invadia quando eu pensava em ti? E quer saber? Até mesmo a tristeza que eu sentia é melhor do que essa sensação estranha.

Sabe meu bem, tenho medo de que isso seja rancor. Tenho medo de que o jogo vire, embora ache muito engraçado imaginar você nessa mesma situação que sou obrigada a passar. Sei que o meu único remédio é o tempo, ele há de curar todas as minhas dores. Mas espero que entenda algum dia, que ninguém no mundo vai te amar tanto quanto eu, ninguém vai amar tanto suas birras, muito menos seus defeitos.

11 de setembro de 2009

Imã;

É o que você é, um imã que usa todas as energias para me puxar para perto de você. Mas se você não me quer, como isso pode acontecer? Como você tem a audácia de me puxar desse jeito?

10 de setembro de 2009

Espreitando;

Não ouve aviso. Nem modo de prever. Sequer um motivo aparente. Ela saltou do carro. Simplesmente. Lembro-me bem de ter visto ele entrar em pânico e gritar “estou fodido, estou fodido” antes dela pular. Ele falava ao telefone, e ela observava o movimento na rua, e simplesmente saltou. Sabe, ele não fez nada, a princípio, parecia não acreditar no que havia acontecido. Depois saiu do carro para socorrê-la, mas não havia mais saída. Lembro-me bem de que não havia motivo algum para acontecer tal tragédia, mas ela era do tipo que sofria calada. Talvez houvesse um motivo oculto, mas não encontro nenhum motivo especial pra uma pessoa se matar tão repentinamente.

Lurking - Prólogo.

6 de setembro de 2009

As formigas me entenderiam;

Às vezes me pego perguntando para os meus botões por que ando tão perdida, perdida de um modo que não sei explicar. Não sei que rumo tomar, embora tenha feito vários planos. Minha vontade atual é de jogar tudo para o alto e viver somente de tomate e alface, e do que eu escrevo; queria muito poder colocar o essencial dentro de uma mala e partir sem um rumo certo, conhecer o mundo, não me apegar às pessoas ou bens materiais. Eu acho que essa é uma vida perfeita, por mais que me critiquem e me chamem de louca por me sentir feliz, só de pensar na possibilidade de partir sem machucar a ninguém. Mas eu estou presa aqui dentro, me sentindo um lixo por não poder fazer absolutamente nada além de observar, e ver a minha vida indo embora.

E eu me pergunto novamente o que vou fazer daqui pra frente. Alguma faculdade, quem sabe. Mas ultimamente minha maior prioridade é comprar uma casa e sair do ninho que eu chamo de casa, é. Eu vou sair daqui, e parar de fazer planos.

Os que me amam;

Minha avó tem um pano de prato com uma mensagem escrita debaixo de um anjo. “Eu amo os que me amam”, era o que estava escrito. Ela vivia dizendo que a tal frase era um tanto quanto errada, pois deveríamos amar a todos. Embora eu discorde, sei que ela pode estar certa, mas não acho nada justo amar uma pessoa que não se importa com o meu sentimento. Pode parecer meio egoísta, mas eu amo os que me amam, não só por me amarem, mas por não achar uma razão para sofrer por sentimentos mal correspondidos.

3 de setembro de 2009

Amendoados;

Juro que pensei
Que a vida só teve sentido
Quando teus olhos encontrei.

Suspiros musicais;

Sinto dizer que amo mesmo, e está ruim pra disfarçar.

1 de setembro de 2009

[...]

Esse podia ser mais um texto sobre o tempo. Sabe, aquelas porcarias que a gente escreve quando está desiludido? Pois é, eu tenho muita vocação para escrever esses tipos de textos que geralmente ainda derramam paixão. Eu já escrevi muito sobre você aqui, e todas as malditas vezes eu disse que iria ser a última vez, e sinceramente eu não sabia que era tão difícil se desligar de alguém. Não vou dizer desta vez, que não vou mais escrever sobre o amor que eu sinto por você, vou guardá-lo só para mim, vou esperar ele evaporar e virar fumaça. É. E mesmo te amando, não acho que um relacionamento nosso tenha futuro, então é isso.

Saber sentir;

Estive pensando,

Acho que o melhor a fazer é voltar para os meus livros velhos e empoeirados, eles nunca me abandonariam. Estive pensando em jogar todas as minhas roupas ao chão, escolher quais vou doar e quais vou customizar, vou comprar roupas novas, e quem sabe adquirir hábitos novos. Vou abrir a minha mente, assistir novos programas experimentar novas bebidas e conhecer gente nova. Estive pensando, meu livre arbítrio é a minha maior virtude, eu não quero usá-lo com consciência. Minha juventude é a minha graça, e vou usá-la ao meu favor para fazer as loucuras que já estou acostumada. Estive pensando, e acho que tudo o que eu penso não faz o menor sentido.

31 de agosto de 2009

Conclusões sem fins emocionais;

Talvez o problema esteja em mim.

Talvez no meu gênio ruim, que tende a não se importar com o que você sente

E afins.


Talvez seja você o meu problema,

Você me incentiva a reunir todo o amor do planeta

E colocar dentro de uma garrafa de qualquer bebida alcoólica.


Misturar ambos, para ficarmos bêbados

Assim você tem a coragem de olhar na minha cara,

Com o amendoado dos seus olhos perdidos em malícia


Eu sou capaz de dizer que não queria,

Que você acabasse em meus braços.

Mas a verdade é que sem você, já não sei se viveria.


Talvez o problema esteja em mim,

No amendoado dos meus olhos

Que não consegue revelar ao mundo

Que se perde quando encontra você.

A passos largos;

[...] Por mais superficial que aquele momento parecesse, aquilo era algo que sentia tal necessidade que as palavras escritas aqui nunca poderiam descrever. E pode parecer egoísmo da minha parte, querer alguém só para mim, mas é algo que apesar de me machucar em alguns momentos, me fazia muito bem; me fazia bem de diversas formas. Nunca em minha vida me senti tão segura, por estar com alguém caminhando a passos largos pelas ruas escuras, eu não poderia escolher companhia pior para todos os meus instintos individualistas; mas o meu coração clamava por aquele momento desesperadamente. Àquilo era algo simples, normal para qualquer outra pessoa, mas para mim era um momento que nunca voltaria, que nunca abriria mão [...]

29 de agosto de 2009

Deixa acontecer;

Há um tempo, eu tinha a mania de planejar toda a minha vida e tentar seguir tudo o que planejava a risca. Queria estudar jornalismo, ficar solteira até os trinta anos e depois quem sabe casar com um cara com bom nível social e ter três filhos. Enquanto eu sistematizava a minha tragetória, sequer percebia que estava perdendo parte dela. Enquanto eu buscava seguir tudo o que programava, apareceu alguém que fez tudo o que construí cair por terra. Ele não estava nos meus planos, mas quem disse que ele se importava? Talvez ele não saiba, mas desencadeou uma série de mudanças repentinas e contínuas, que não paravam de me atormentar. Mas o que mais me frustrava era o fato de que eu não tinha controle sobre mim mesma. Me esforcei para evitar estragos maiores, mas tudo parecia em vão. Demorei tanto tempo para perceber que não adianta tentar fazer tudo do meu jeito, e hoje me arrependo de ter perdido parte da minha juventude com tudo isso. Cansei de fazer planos, e agora entendo o que as pessoas queriam dizer quando diziam deixa acontecer.

Bom, a paixão por jornalismo ainda mora em mim, mas não sei se vai adiantar muito eu tentar planejar minha vida afetiva. Afinal, como a minha vida vai ter alguma graça se estiver toda programada?

28 de agosto de 2009

Já não quis?...

Você já não quis – pelo menos uma vez – ser outra pessoa? Poder presenciar outra rotina, outros problemas, pelo menos para perceber que a cruz que você carrega não é lá tão pesada? Não quis agradecer a Deus por ter tudo que deseja, enquanto outros não podem? Já não quis parar de pedir?

16 de agosto de 2009

Entre quatro paredes;

E hoje, exatas 12:50 da noite eu estou aqui, cansada e enfadada. Mas não cansada fisicamente, na verdade não sei ao certo como explicar como me sinto. Estou com o choro entalado na garganta desde o dia que te conheci, e muitos receios. Talvez, pelo fato desse ser o meu primeiro amor. Enfim, não consigo explicar, pois machucados causados pelo amor são complicados de entender, ainda mais quando seu nome está envolvido.

Não consigo chorar, não consigo pensar, não consigo falar de outra coisa que não seja sobre você, e pode parecer até ingênuo da minha parte, mas eu acho que te amo. Te amo mesmo com todos esses defeitinhos que transformam você numa pessoa unicamente especial, e te amo principalmente pela delicadeza de como fala. Mas odeio te amar, pois simplesmente não consigo me doar por inteira para ti. Acho que tenho medo de você, do que você pode fazer, não sei se suas intenções são boas ou más. Sinto que não te conheço. Seus olhos amendoados não revelam a sua personalidade, muito menos suas verdades, coisa que desejo muito saber.

Talvez as lágrimas que caem sobre esse teclado agora, não te sensibilizem. De fato, creio que sequer vá ler isto, o que me deixa muito frustrada. Nunca me julguei muito corajosa, mas minha covardia chegou a tal ponto, que acabei por te perder. Ou será que você nunca foi meu realmente? Essas dúvidas me atormentam duramente a noite, não me deixam dormir. A ideia de que podia dar certo, me assombra, fazendo as lágrimas invadirem os meus olhos. Mas a incerteza de que você só me ama quando está bêbado me deixa ainda mais triste. Por isso fujo e me escondo, porque não tenho certeza de absolutamente nada, e fico aqui, torcendo para que um dia você perceba que eu não sou diversão de uma noite só. Creio, que você me vê como uma qualquer, só mais uma das suas diversões, mas eu não consigo te enxergar assim, mesmo parecendo que não ligo para nós dois.

Odeio essa parte, sinceramente. Estou agora tentando chorar todas as minhas tristezas, para enfim, terminar esse capítulo da minha vida e poder virar a página. Mas sempre tenho a nítida impressão de que ainda não acabou, mas tudo porque eu não queria que acabasse assim, de modo tão frio. Mas hoje não, hoje senti que todas as esperanças vivas em mim, morreram. E eu fico procurando diversas explicações, que me deixam ainda mais deprimida. Sei que estou indo pelo caminho errado, mas você sequer me explicou qual era o caminho certo.


W.K.

12 de agosto de 2009

Tudo, Tudo, Tudo;

Dias atrás encontrei uma música na internet que me fez viajar ao passado. O nome da música era tudo, tudo, tudo das Chiquititas. A maioria das crianças que brincavam comigo assistiam a tal novela, mas enfim. Essa era uma das minhas músicas preferidas, pois tinha um ritmo muito alegre, porém, nunca parei para escutar a letra atentamente. Fiz isso semanas atrás, e acabei por concluir que todos nós deveríamos pensar como crianças. É verdade, como meras crianças, pois percebi que nada as aflige. Por que deixar a dor de um relacionamento terminado estragar toda uma semana, que podia ser repleta de sorrisos e alegrias? Precisamos realmente, ficar com raiva porque as coisas não aconteceram como esperávamos? Meu pai sempre me disse que, nunca, ninguém poderia abalar a nossa felicidade, pois ela é a coisa mais importante que temos, é um dos nossos maiores bens, e não podem ser trocados por nada no mundo. Seu estado de espírito tem que ser sempre sereno e alegre, pois as coisas vans só precisam de uma pequena brecha para entrar em nossas vidas. Não deixe que a tristeza e a amargura dominem o seu ser, você é bem mais que um rosto triste.

Não te dói mais nada?

Composta de Tristezas;

Um dia, quando eu era bem pequena, disseram numa conversa entre adultos que, a vida é composta de tristezas, que os momentos felizes eram bem poucos. Cresci com essa filosofia martelando em minha cabeça, eu sinceramente não conseguia entender o que aquele ser humano queria dizer, mas afinal, eu era uma criança, não sabia o que era ser triste. Minha mãe repetia a mesma frase para qualquer pergunta muito crítica que eu fizesse: Quando você crescer, vai entender. Vários assuntos prematuros que tentei abordar e a pobre não conseguia me explicar, porque para mim era um tanto complexo, acabei por entender depois de grande. Mas aquele determinado assunto, que marcou a minha infância de uma maneira que nunca consegui esquecer àquela frase, aquela filosofia tão seca, ela eu nunca consegui entender, mesmo passando por dificuldades ou não tendo dinheiro pra comprar algo desejado. Mesmo quando eu abro a geladeira, e não encontro algo para comer.

A liberdade que me consome;

Minha atual vontade é de correr até a Califórnia e sentir a água marinha banhar meus pés, cantar e procurar inspiração até mesmo debaixo dos pequenos grãos de areia que são trazidos pelo mar azul. Quero respirar fundo, gritar bem alto e chorar sem medo de olhares curiosos. Quero sentir a chuva molhar o meu rosto novamente, e sentir o manto da paz me ninar.

Quero ser livre, para amar quem eu quiser, mas sem acabar presa na gaiola do relacionamento; eu não gosto de regras. Eu preciso mais do que nunca, amar. Beijar até morrer de amor; mas também preciso da minha liberdade, preciso poder abrir os braços para quem eu quiser, preciso ter meus amigos.

Eu preciso de alguém, que goste tanto da liberdade quanto eu.

26 de julho de 2009

Angústia contraditória.

“Nunca iria dar certo, são pessoas muito distintas.”

Ela repetia a frase, pela décima vez naquele dia que só estava começando. Mas aquilo que ecoava em sua mente, dia após dia não era de fato todo errado; ele era estranho. Mas não um estranho de, vamos dizer: anormal, ao contrário, olhando bem ele conseguia se misturar e desaparecer entre as pessoas na festa, se não fosse pelo fato de suas mãos sempre estarem levantadas quando andava. Para abrir espaço? Ou mostrar a ela que ele estava cada vez mais perto, congelando seus nervos? O que o leva a ter essa mania ela nunca vai descobrir, ora para que? Se tudo que ela quer é apenas mais um beijo para matar a saudade que até então a consumia. Era triste alegar isso, segundo ela.

- Besta – critica a si mesma.

O fato de não vê-lo mais não era o que a entristecia, e sim a forma que ele se preocupava – ou melhor, não se preocupava. Ele não estava nem aí para o que poderia vir a acontecer. Mas era tudo tão contraditório!

Ela, já não tem tanta certeza do que sente, mas tem certeza que não se trata de amor. Mas seria uma grande mentira se ela dissesse que não sente falta do seu beijo, seria sim. Mas seria só isso? Uma atração passageira, que até agora não passou?

24 de julho de 2009

Nunca Diga Nunca;

Eu prometi que nunca mais falaria de amor. Que jamais escreveria uma só palavra sobre tal sentimento que me consome. Porém estou aqui, perdendo o meu tempo com algo que nunca vou entender.

19 de julho de 2009

Sem Título;

Antes de mais nada, esteja convicto de uma coisa: no fundo a gente sabe, quase ninguém é merecedor de suas lágrimas.

E se sequer é merecedor de suas lágrimas, quem dirá de seu amor?

5 de julho de 2009

O Diálogo de Adão e Eva;

Um;

- Quantas garotas você já beijou? – ela perguntou, inocentemente.
- Não sei... Muitas.
- E quantas delas fizeram as suas pernas fraquejarem?
Ele franziu o cenho.
- Como assim?
- Quantas delas você realmente sentiu algo?
O silêncio reinou, fazendo-o viajar em seu passado e buscar as lembranças que ela desejava conhecer.
- Por que está interessada nisso?
- Porque faz parte.
Aquele assunto o deixava desnorteado, fazendo-a parecer uma louca diante dele.
- Faz parte de quê?
- O que você sente, quando leva alguém para um beco, só para transar?
E o silêncio voltou a reinar. Aquela pequena ironia havia acertado sua cabeça como um murro. 
- Aonde quer chegar com isso? – perguntou ele, rispidamente
- Quero dizer, que, acho que você está perdendo parte de sua vida – disse ela em tom de pena. – Você não sabe quem você é, o que está fazendo...
- Eu sei quem sou.
- Eu sei o que você é.
- O que?
- Um corpo morto.
E a raiva surgiu.
- Você não ama, não sente, não acredita. Está perdendo parte de sua vida com algo que só vai afundá-lo cada vez mais.
- Um corpo morto?
- Uma alma perdida. – disse ela, cheia de pena. – Quantas vezes se sentiu feliz por estar com alguém? Quantas vezes sentiu saudade? Ou até mesmo tesão, realmente?
Todo aquele diálogo estava deixando-o deprimido demais para responder.
- Não tenho tempo para essas baboseiras.
Ela sorriu, um sorriso meigo, cheio de graça, que o fez sorrir também.
Seus lábios se encontraram delicadamente, porém, ela não conseguia encontrar o que estava faltando.
E ela logo distanciou-se, tímida.
- O que foi? – ele perguntou.
A tristeza a invadiu, deixando-a incrivelmente angustiada.
- Você.
Ele era vazio, sem vida. Um corpo morto, como dissera.
No entanto, ele não estava interessado nisso, interessava-se somente em seu corpo esguio e cheio de curvas. Era só isso que ele era capaz de ver.
Ela se sentiu sozinha. Isso era grave. Ele era incapaz de preencher seu coração, como ela desejava.
Ambos puderam ouvir uma voz ao fundo, chamando-a. E sem mais explicações, partiu, deixando-o.
Ele permaneceu lá, sozinho outra vez. Talvez, sequer tenha pensado no assunto, ou quem sabe sim. Porém, quando o mesmo sentir o baque da realidade o derrubar, revirando totalmente seu mundo, ele iria lembrar-se de que tudo que ele precisava era simplesmente de alguém que se importasse. Era isso que ela queria tanto oferecer.

4 de julho de 2009

I Want You Back;

O primeiro contato que tive com ele foi um tanto espontâneo, apesar de nunca vê-lo pessoalmente. Não me lembro ao certo quantos anos tinha, mas era muito nova. No entanto, nosso primeiro contato foi forte o suficiente para ser inesquecível.

Esperando mais um filme do que ainda é em minha opinião, um dos melhores filmes de terror já feitos – embora todos os erros e gafes. – deparei-me com um clipe que passava pela tevê, altas horas da noite. Tudo que há terror em sua natureza me atrai, e este fato ainda prevalece nos dias de hoje – A princípio, pude ver um casal passeando, e em alguns minutos depois, o namorado vira um lobisomem e saí em busca da amada, a fim de matá-la. Minha mente, embora inocente e cheia de besteiras como Barney e Seus Amigos ou Teletubbies vibrou de alegria ao ver todos aqueles zumbis dançarem em conjunto. Nunca pude esquecer essa cena, que ficou em minha mente durante toda a minha infância.

Minha mãe, na época era dona de uma coletânea de músicas cujo artista era o mesmo que dançava e encantava no clipe que vi. Então, remexendo em seus discos, encontrei Rock With You. Esta foi a música que mais marcou, pela melodia suave ao fundo. Então, Michael Jackson não saiu mais de minha cabeça. Infelizmente, com o tempo nos afastamos das raízes, e com novas músicas nas paradas e a minha cabeça adolescente a mil, acabei por não escutar suas palavras de amor e compreensão, pelo menos não com tanta freqüência. Mas às vezes, me pegava sorrindo ao ouvir Rockin Robin dos Jackson 5.

Jackson marcou uma geração, mesmo sem saber. Ele foi o ídolo idolatrado de muitas pessoas. Um grande exemplo é a Dona Elizabete, minha mãe, que sequer pode escutar uma música sem que a nostalgia a ataque.

A notícia de sua morte caiu como uma bomba para mim, que fiquei um tanto abismada ao saber que ele fazia uma falta terrível. Um vazio tomou conta do meu peito, e eu senti que estava perdendo um ente querido. Quis chorar, mas o susto do momento não deixou as lágrimas caírem. Fui perdendo os sentidos, e Thriller, a música que me chocou no começo de minha vida, veio em minha mente. Passei dias a fio tentando digerir a notícia, mas ainda não acreditava que ele havia partido. Esperava a qualquer momento, a notícia de que era tudo brincadeira, e ele reapareceria com seu sorriso tímido, dando tchau aos fãs.

Mas ele não apareceu.

Hoje, dez dias depois de sua morte, eu consegui chorar, e relembrar todos os momentos bons que passei o ouvindo. Não consigo aceitar sua morte repentina.

Para mim, Michael vai deixar mais que saudades, ele vai deixar suas lembranças, que guardarei para sempre dentro de mim.

Agora, como uma criança, estou aqui escutando I Want You Back, e isso era o que eu mais queria que acontecesse.

21 de junho de 2009

Misturando-se Com o Vento;

[...] E então você acha que está tudo certo agora, não há mais o que resolver. Pelo simples fato de pensar somente no seu bem estar. Se você está bem, então tudo está bem. E não o recrimino por isso. Mas não está, ou pelo menos eu não vou deixar que as coisas andem nos eixos de novo. As coisas não são assim, você não pode simplesmente ir embora e me deixar com os meus “porquês”. Isso não é justo, mesmo que você não sinta nada por mim. Ora, se não sentia, então porque insistiu?

Creio que você não vai passar do desconhecido que eu mais amei, e isso me entristece. Me entristece mais que a sua confusão ao se indagar o que sente. Eu me recuso a tocar nesse assunto novamente, por isso estou escrevendo agora. Para chorar todas as minhas mágoas, e seguir o meu caminho sem você. Francamente, você sequer merecia tudo o que eu tinha a oferecer, e isso me deixa ainda mais triste.

E eu continuo aqui, com um milhão de dúvidas que se recusam a me abandonar. Oh, mas não se preocupe, logo elas também vão embora como você, também vão evaporar e sumir, como todo esse amor.

20 de junho de 2009

A hipocrisia de cada dia;


E eu desabafei em meio a tantas bolhas de sabão: Meu Deus, como há pouca água nesse mundo! Eu observava a água transbordar pela pia, encantada e ao mesmo tempo chocada com a atitude hipócrita e egoísta de todos em relação a esse problema. “Será que ninguém vai dar um jeito nisso? Perguntei-me, enquanto me revoltava cada vez mais com tudo que estava acontecendo. Me lembrei então, do último texto do ano passado que tive que interpretar. Falava sobre a água, e sobre seus prejuízos caso a mesma acabe algum dia. É preciso que alguém faça algo rápido, eu escrevi naquela redação.
“Vamos todos morrer de sede, alguém precisa fazer algo.” Disse eu, em meio à água quente e limpinha que estava ao meu redor. Eu me indignava cada vez mais, mas era incapaz de fechar a torneira e fazer algo por mim mesma.

Os verdadeiros merecedores do amor.

Em última análise, pude deduzir que devemos dar o nosso coração para cães. Sim, é verdade. Cães sabem dar valor ao nosso sentimento, e sim, eles correspondem à altura. Cães não querem saber se você usa a marca da moda, se você passa maquiagem, ou é legal. Eles não querem saber se você é dotado de inteligência ou arrogância o suficiente para participar desse teatro sujo que chamamos de vida em sociedade. Eles não se importam com quantos garotos você beijou em uma festa, ou se você ainda é virgem. Eles não se preocupam com o seu status financeiro, ou a sua vida social. Não traem, não enganam, não mentem descaradamente. Eles não tentam te convencer a fazer o mal. Eles não falam coisas ruins sobre você, quando você está longe. Eles não riem da sua forma de pensar, nem de como você amarra os cabelos. Eles não são hipócritas e nem tentam te derrubar.

E se essas afirmações não bastam, ouso dizer que um cão jamais trocará você por qualquer outra coisa ou pessoa.

Finalmente, a conclusão.

Acho que cansei. Cansei de tomar banho a cada três horas, para a água misturar-se com as minhas lágrimas. Cansei de perguntar o porquê de tudo. Cansei de parecer ideal para você, porque no fundo, eu sei que você não é ideal para mim, você não é nada que eu esperei. Você é pior do que eu pensava. Não vale a pena lutar por um romance paralelo, regado de prazer e nada de amor.

12 de junho de 2009

Medo, dúvidas e afins;

Você, nunca foi e nunca será o que eu sempre sonhei pra mim. Não é possível, você não se encaixa em nenhum dos meus planos – os planos que construí com tanto amor. Você me faz sentir muita raiva, por saber que em um simples gesto teu, meu mundo pode desabar a qualquer momento. Você abala todas as estruturas do meu castelo que costumo chamar de individualismo. Você me preocupa, francamente. Por isso fujo, me escondo, finjo que você não existe. Porque tenho medo do efeito que você pode vir a causar em mim. Eu tenho medo de amar você.

5 de junho de 2009

Sunshine;


Hoje o sol está lá fora, iluminando o caminho e aquecendo o coração dos apaixonados. É a primeira vez em dias, que ele se atreve a brilhar de tal forma. Mas as pessoas parecem não se preocupar com tal rebeldia, parecem sequer notar que ele está lá. Hoje decidi fazer como o sol, quero brilhar intensamente sem que ninguém perceba. Hoje eu quero viver mais, observar mais, comer muito mais, hoje eu quero ser mais feliz. Hoje eu quero poder ir onde meu coração desejar, sem precisar dar explicações. Hoje eu quero correr pelas areias quentes das praias californianas quero sentir o vento frio da gelada Londres me envolver. Hoje eu quero não só conhecer o mundo, quero explorar esse meu Brasil que tanto tem para me mostrar. Hoje eu quero fazer não só uma, mas várias pessoas tão felizes quanto eu. Hoje eu quero que tudo se dane, quero somente sentir essa alegria sem igual me envolver. Quero construir a minha própria história, sem medo das pedras pelo caminho ou fracassos. Quero deixar cada vitória ser um motivo a mais para continuar respirando, para continuar tentando. Hoje eu quero sentir o aroma das flores do campo, tão delicadas e singelas. Hoje eu quero perceber até mesmo o detalhe mais insignificante, mas que dá a beleza ao mundo que vivemos. Ora, o universo é tão grande, e eu tenho uma vida inteira para descobri-lo, vou explorá-lo até quando Meu Deus quiser. Vou ser feliz até que meu coração já não agüente mais bater, vou sorrir até quando Deus me chamar para junto dele.

2 de junho de 2009

Coração não conhece limites;


Ídolo; pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo.

Se eu disser que nunca tive um ídolo, vou me transformar na maior mentirosa de todos os tempos. Pois já tive ídolos de todos os jeitos e nacionalidades. A começar por um certo bruxo de óculos, que desde sempre tem andado comigo. Mas Harry se encaixa no grupo de amigos imaginários que eu tanto gostava de brincar. Participava de suas aventuras como se fizesse parte da história, e isso me ajudou muito.
Mas não estou falando de amigos ou heróis, estou falando daquela pessoa que te deixa meio besta, que mesmo não sabendo que você existe, mas mesmo assim você deposita um excesso de carinho e atenção para aquela determinada pessoa.
Bom, Skandar Amin Casper Keynes é o nome desse determinado elemento, que vem mexendo com a minha cabeça desde sempre, mesmo que informalmente. Nunca soube ao certo o que me atraí a ele, talvez seja o jeito carinhoso como trata cada fã, ou o fato de ter o sorriso de canto mais sedutor que eu já tive o prazer de contemplar. E confesso que faço isso constantemente, e sem pudor algum. O fato é que cada dia que passa, eu me encontro cada vez mais encantada com o seu jeito nobre de ser e agir. E as dúvidas invadem a minha mente, “será que ele é realmente assim, digo, cara a cara?” Confesso também, que já pensei muitas coisas ruins sobre seu jeito pessoal de ser. Medo? Suponho que sim. Medo de me apaixonar por uma pessoa que de fato não conheço pessoalmente, e que não sabe da minha existência, e talvez nunca saiba. Então decidi me esconder atrás da mentira que criei sobre sua pessoa. Mas no fundo, eu sou como qualquer outra garota, que pensa que ele é tudo de bom.
Estou convicta de que ele não é um ser perfeito. Mas parece ser tão divertido e agradável em suas fotos pessoais, que é um tanto difícil pensar que o mesmo é um cretino e cafajeste. Gosto de pensar que ele é como um garoto normal, que gosta de sair com os amigos, beijar e ouvir música, o que de fato é verdade. E tento não pensar muito em sua vida amorosa, pois sempre que aparece uma garotinha a mais, torço o nariz e não me simpatizo na hora. Mas nunca chorei, nunca cheguei a tanto por ele, por achar que não vale a pena. Mas vontade não faltou. Não pelo fato de ter uma namorada e estar agindo normalmente, mas por suas conquistas. Sinto que estou com ele para tudo, como uma amiga. Mesmo estando tão longe, e meio que incapacitada de oferecer um ombro amigo ou um abraço.
Mas mesmo tentando controlar esse sentimento, ainda sinto que ele está prestes a sair das riscas, ficar fora de controle. Pois sempre que vejo alguma foto nova, um vídeo, ou escuto a sua voz rouca, meu corpo todo se arrepia, e meu coração dispara.

1 de junho de 2009

Qual é o seu vício?

Photobucket


Depois de horas a fio descobrindo os meus vícios até então desconhecidos – e conhecidos. – decidi que talvez eu seja a garota que mais tem vícios na cidade do Embu. Embora nenhum desses citados aqui causarem algum dano à minha saúde, ás vezes me fazem perder noites de sono, ou ganhar uns quilinhos a mais.

Gulosa, com orgulho.

Nunca rejeitei uma pizza ou um bolinho de carne. E até trocava as minhas refeições diárias, todas elas cheias de vitaminas, proteínas e ferro por um pouco de refrigerante com bolo de chocolate (o que deixava a minha mãe bastante nervosa). Minha avó, leal companheira nas horas mais felizes do meu dia, vivia dentro da cozinha comigo, jogando conversa fora, e uma hora ou outra checando a pipoca que estourava dentro da panela.
Como toda hora, seja um prato cheio até pequenos petiscos. A questão é que sempre e sempre estou mastigando. E por incrível que pareça, sou magra. É! Uns dizem que sou doente, que minha mãe deveria levar-me ao médico com urgência. Outros dizem que eu sou ruim mesmo, e que sempre serei assim. Eu já me simpatizo mais com a teoria da minha amiga, aluna brilhante em biologia. Assim que inventam alguma hipótese para o meu emagrecimento contínuo, ela logo coloca a verdade sobre a mesa. “Seu metabolismo é rápido demais, já disse.” E todos preferem ficar calados, ou soltar um Nerd em voz baixa.

Aspirante à Romancista.

Eis aqui, algo que não sei distinguir como vício ou paixão. Escrever para mim é algo mais que um simples hobby. Mas confesso que pareço uma maníaca por letras. Não consigo terminar de ler um livro e não começar outro no mesmo minuto, tenho uma porção de romances dos mais diversos gêneros (tenho uma queda terrível por biografias de drogados, romances eróticos e tudo relacionado à magia). E meu gosto de escrever fanfics idiotas e sem nexo algum, sem fins lucrativos, somente para alimentar um amor que cresce à cada minuto é muito grande. Sempre tive preferência por drama, é a minha especialidade.

Fotografa Compulsiva.

Sabe aquele tipo de pessoa que tira foto de tudo que vê pela frente? Essa sou eu. Não me contento em contemplar a paisagem por alguns minutos, tenho que deixar gravada para sempre, para que eu possa encontrar a fotografia jogada em alguma gaveta qualquer, e lembrar-me dos bons momentos que passei com pessoas amadas.

Crítica de Cinema.

Eis aqui um vício divertido, ainda mais quando se tem um gosto excêntrico de sempre acabar preferindo filmes Trash, cheios de sangue de mentira e mulheres nuas correndo de um assassino armado sempre com uma arma branca.

Laika.

Esta foi a graça que lhe dei, pois desde o momento em que meus olhos encontraram os dela, prometi a mim mesma que nada a machucaria, pois apesar de não ter o dom da fala, tem o dom da amizade. E pode deixar, eu falo por nós duas.

Chuvas tempestivas e ventanias fortes.

Eis aqui uma pessoa que ao ouvir a primeira gotícula chocar-se contra a janela de vidro do quarto, corre para a primeira estante de livros.

29 de maio de 2009

Francesinha;

Depois de tantas semanas a fio negando a todo custo a minha condição atual, finalmente constatei que estou apaixonado. Mas não é um apaixonado qualquer, eu estou A-PAI-XO-NA-DO. Ela, no entanto, não sabe que esse sentimento vem tomando conta do meu coração há algum tempo, talvez ela tenha coisas melhores para pensar.

O sol entrava radiante pela janela daquele restaurante, modesto é verdade, pois sei que luxo e regalias não são coisas que a atraem. Tudo aqui combina com ela, e seus olhos castanhos. Desde as toalhas de mesa até a melodia alegre que ela ousava sentir.
Entre nós dois, uma garrafa de vinho ainda pela metade, e uma porção de batatas fritas.

Limitei-me em apenas observá-la com a atenção que até então não ofereci a mais nenhuma.
Cada centímetro do seu corpo. Havia algo nela que me atraía a atenção. Suas unhas vermelhas combinavam tão bem com o vestido branco, que fazia par com uma fita de seda vermelha presa em seus cabelos enrolados. Faziam cachos grandes e perfeitos, tão loirinhos. Dançavam todos em sintonia quando o vento insistia em passear entre eles. Suas sardas espalhadas pelo seu rosto de marfim, algumas habitavam seu nariz que provavelmente foi modelado por anjos. Suas mãos estavam sobre o queixo, e seus pés dançavam debaixo da mesa. Seria por causa da música que invadia nossos ouvidos, ou estaria ansiosa com alguma coisa?

Não acredito que qualquer ser mortal não se encante ao vê-la desfilar pelas ruas. Seu sorriso, sua alegria são coisas tão contagiantes, capazes de mudar vidas. Ela, não acredito que ela, seja apenas uma mera mortal. Deve ser um anjo dos céus perdido na terra, procurando seu caminho de volta.
Um anjo, tão meigo e puro. Mas garanto que os pensamentos que ela me proporciona não são tão inocentes assim.

Sorri ao vê-la brincar com as batatas, antes de colocar um delas na boca. Observei o local onde estávamos, e se não havia ninguém por aqui, que a desejasse tanto quanto eu. Descobri que não sou o único que tinha prazer em admirar sua beleza sem fim, porém, eu era o único que podia ouvir a sua voz doce como mel, ou tocá-la.

O caminho de volta foi pacífico. E eu me lembrei como o amor fazia bem às pessoas. Apesar do sol, estava um tanto frio, era inverno, mas o clima aqui é meio doido.

A envolvi em meus braços, e enquanto caminhávamos, ela dizia coisas como “foi legal ter saído com você.” Ou “devemos fazer isso mais vezes.”

Quando chegamos a sua casa, ela me convidou para entrar, mas fiquei um tanto encabulado.
- Quando vai dar o ar de sua graça novamente? – perguntei.
- Assim que o seu coração voltar a precisar de mim.
Sorri.
- Ele precisa de você a cada instante.

Reflexões Diárias;

Ditados populares nunca mentem, embora eu discorde de muitas coisas ditas pela massa. Mas não leve totalmente em conta a minha opinião, pois ela é formada pelas lógicas mais enroladas possíveis.

Mas como a voz do povo é a voz de Deus, posso constatar que, mãe é tudo igual, só muda de endereço. Pois você não odeia quando ela reclama da louça que supostamente está mal lavada? Ou quando ela usa suas primas como exemplo? É altamente frustrante quando ela se oferece para comprar suas roupas íntimas, e embora compre uma coleção de calcinhas coloridas e cheias de desenhos meigos, são sempre de um número a menos que você está acostumada a usar. E você precisa usar, pois “elas são novas, amorzinho.” Falta de atenção? Ou ela ainda vê você como uma garotinha? Com toda certeza afirmo que falta de atenção nunca poderia ser, pois mesmo que você não perceba, ela está atenta à tudo que você ousa fazer. Então suponho que seja medo de perder a menina dos seus olhos. Não quero dizer eu depois de grande você perca o valor, mas quando você amadurece já não precisa tanto de sua proteção. Pode não parecer, mas para ela, saber que daqui alguns anos você vai ser completamente independente a entristece muito. Embora para você seja a coisa mais desejável sair sem precisar de autorização. Mas sentimos falta, e sempre vamos sentir. Principalmente quando relembramos velhos tempos, em que ainda morávamos com nossos pais, em um lar regado de carinho e compreensão. Sair de casa e ver o mundo sujo e violento que estamos prestes a enfrentar nos assusta a princípio, mas nos acostumamos, como sempre. O que não deveria acontecer.

O que nos conforta é o fato de que sempre que precisamos, ela vai estar lá, de braços abertos, esperando você chegar correndo e dizer que apesar de tudo ainda precisa de sua proteção. Mas nem sempre é assim, pois as leis da vida são bem claras.

Com o tempo aprendemos que mãe, não é sinônimo de chatice e pegação no pé, mas também do mais singelo, porém o mais forte laço de amizade que temos enquanto pisamos na terra. Uma amizade que nós insistimos em negar a todo custo na frente de outros amigos que conquistamos.
Amigos, que não tem um laço de sangue, ou psicologicamente forte para superar tudo, um dia se vão, deixam um pouco deles com a gente, e levam um pouco de nós. Sua mãe só vai sair do seu lado se morrer.
Pense nisso.

Elizabete P. de Mello, o maior exemplo de amizade. Pode me sufocar à vontade.

7 de maio de 2009

A Janela;

E o vento forte trás toda a poeira da rua para dentro de casa. Ela entra pela janela e pousa delicadamente sobre os móveis velhos e rústicos espalhados pela casa. Ao longe, posso escutar alguém reclamar continuamente do vento forte e de seus prejuízos. Não me importo com o vento forte, não me importo com a poeira, desde que ela não atrapalhe a minha visão do mundo.

O mundo. Essa janela não é capaz de mostrar-me o mundo inteiro, seus altos e baixos, suas alegrias e tristezas. Ela é capaz de mostrar-me somente uma parte dele, a parte que conheço bem, e observo toda tarde. Porém, nunca observo momentos repetidos. Cada pessoa que passa pela rua, por mais conhecida que seja não repete as mesmas coisas de sempre. Mesmo que seja rotina de sua parte. Até o seu sorriso muda. Ou está mais feliz, ou está mais triste. Tudo muda.

Talvez seja isso que eu gosto tanto de presenciar, a mudança. A mudança de tempo, de estação. Gosto de observar como as pessoas mudam de assunto tão rapidamente, ou como elas também gostam de observar. Gosto de observar as feições das pessoas ao redor, se perceber bem, dá para descobrir o que estão pensando.

Mas as mudanças mais malucas são da natureza. Assim que você se deita sobre a grama para tomar sol, pode sentir as primeiras gotas de chuva molhar a sua roupa.

Confesso que gosto disso, mudanças.

Apesar dessa janela não mostrar-me tudo que estou interessada em ver, eu consigo captar as mensagens do mundo. Eu consigo vê-lo chorar daqui, eu consigo vê-lo retribuir toda a desgraça para nós. Eu consigo sentir a maior, e a pior mudança que estamos prestes a passar.

23 de abril de 2009

O Verbo Amar;

Não se ama uma pessoa pelas roupas que ela usa, ou se ela tem fama de tal em um colégio, ou ouve algum tipo de música. Ama-se pelo seu sorriso, cheiro ou até pelas sardas que existem espalhadas pelo rosto do amado (a). Ama-se pela paz que o outro lhe dá, ou até a tormenta que causa dentro de nós. Amar é apenas um pouco disto, o resto são apenas referenciais. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, pois é o sentimento mais puro e fiel que o ser humano pode carregar no peito. Cada pessoa tem o seu jeito de amar, e é isso que diferencia uma pessoa da outra fora as características fundamentais, é o jeito que cada um conjuga o verbo amar. O amor é um sentimento duradouro, capaz de se esconder durante anos e reaparecer sem que ninguém perceba. É milagroso, pois é capaz de mudar vidas! O amor é uma dádiva de Deus. É um dom, que todos são capazes de ter.

14 de abril de 2009

A Cada Instante;

E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Às vezes penso que os sentimentos mais bonitos começam a desabrochar na primavera, assim como as flores do campo. Claro, só te conheço assim, informalmente. Mas sinto que isso nada influencia no sentimento que reina em nós dois. Estou condenada a não sentir o seu cheiro, de ver o seu sorriso ou escutar a sua voz, isso me deixa horrivelmente angustiada. Mas confesso que sou portadora do sentimento mais traiçoeiro, a esperança. A esperança de um dia te encontrar, mesmo estando convicta de que estamos há milhas e milhas de distância e as chances de nossos olhares se encontrarem é bem pouca.
Mesmo assim, meu coração insiste em bater mais forte quando penso em você. E não fico tão triste em saber que estamos tão longe um do outro, se quer saber. Nossos corpos estão distantes, mas nossos pensamentos estão focados apenas em nós dois. E isso é o que me conforta, saber que sou correspondida apesar de tudo.
Nós desfrutamos do mesmo céu, para apreciar e lembrar das besteiras que conversamos, dos planos que fizemos. Hoje sinto que não sei como viver sem você. É tudo tão confuso! Nunca pensei que encontraria uma pessoa como você, assim tão perto, e ao mesmo tempo tão longe.
É mais forte do que eu, a única coisa que eu sei fazer é pensar em você a cada instante.

[...] Porque Te amo y no puedo llegar un momento lejos de ti.

Conclusões Precipitadas;

As coisas não são mais como antes. Claro, o mundo lá fora continua o mesmo, o que mudou foi a minha forma de vê-lo. E apesar de tudo o que passei, sinto que só aprendi a lição agora.
Não sei se estou perto ou longe, se estou no caminho certo ou não. Mas na verdade, isso não influencia em nada. Temos quer seguir o caminho que desejamos, e sofrer nossas próprias consequências. É a nossa vida, e temos que vivê-la da forma mais intensa que conseguirmos, porque ela é basicamente como estas palavras, a única diferença, é que estas podem ser corrigidas quando eu bem entender, a nossa vida não.
Por isso chore, erre, ame, seja feliz, sofra... Viva! Antes que a sua inspiração acabe, e você não tenha mais vontade de escrever.

Anna B. às vezes não sabe o que pensa.

7 de abril de 2009

Sentimentos Jogados ao Vento

Era uma vez, um cara e uma careta...

[...] Que corriam juntos em direção ao mar, de mãos dadas. Nenhum dos dois precisava de mais nada, além deles mesmos. Um era do outro, e não existia nada além dos dois.
O verão estava mais romântico, ou será apenas ele que iluminava seus dias com um sorriso singelo?

Suas pernas tremiam cada vez que o via. Suas mãos ficavam geladas e inquietas, suas bochechas rosavam e o sorriso insistia em brincar com os seus lábios. Mesmo com uma relação estabelecida há tanto tempo, o sentimento ainda prevalecia.

Mas ele pareceu não ligar, e assim que pôde, fez outros planos...

29 de março de 2009

It's Too Late

[...] yeah... I must be only one in a million [...]

E a dor que eu sentia a cada vez que você aparecia foi diluindo-se, como heroína em meu sangue. Só que a droga que você me proporcionava não fazia mais efeito, a droga do amor que eu sentia não faz mais efeito.
As coisas mudaram agora, pelo menos para mim. Ainda sinto a sua falta, mas não tanto quanto ontem, e com certeza amanhã sentirei muito menos, é isso que ainda me mantém viva. O tempo passa, até para mim.

[...] I won't let the day pass without her [...]

Eu contava os minutos pra te ver, mas o relógio me odiava.
O tempo passa.
E os minutos que eu contava foram deixados para trás.
Mas seu cheiro ainda está em mim, e a lembrança da nossa última noite, que insistem em invadir a minha mente.
Eu sou a vítima, mas também sou a assassina.
Eu quis assassinar esse amor, ou quem acabaria morta seria eu.

[...]It's too late - to be grateful[...]

E o tempo passa.
E os ponteiros que antes caminhavam lentamente, aproveitando-se do meu sofrimento e se banhando em minhas lágrimas, agora correm. Correm, porque agora ninguém mais os observa, com os olhos receosos esperando você chegar.
Isso é doloroso para você?
Ora, mas você nunca deu valor.

[...]It's too late - to be late again[...]

Aquela dor já não habita o meu coração. As lágrimas não queimam mais o meu rosto. E eu já me acostumei a deixar o telefone desligado.
O sorriso voltou a brotar em minha face. Eu sabia que isso iria acontecer, é como o nascer do sol. Mas a sua sombra pairava sobre a minha mente, deixando-me transtornada. Agora nada disso existe mais, eu estou livre.

[...]It's too late - to be hateful [...]

E então as primeiras sensações começam a aparecer.
Ninguém mais espera você chegar, o seu telefone não toca mais.
O céu está escuro, sem nenhuma estrela o enfeitando, Como a sua alma vazia.
Você então percebe que está sozinho. Onde está àquela garota que gostava de chorar?
Você não sabe dizer.
Então você procura o meu número no seu arquivo morto, e quando finalmente o acha, seu coração dispara.

[...] The European cannon is here [...]

Você aperta os botões apressadamente, e enquanto ouve o telefone chamar diversas vezes, sente uma pontada de remorso.
As primeiras gotas de sofrimento começam a invadir os seus olhos, transbordam e escorrem lentamente pelo seu rosto. Elas ardem, mesmo que figurativamente, mas ardem como ácido. Essas são as lágrimas que eu disse que doíam tanto.
Um nó está preso em sua garganta, e parece que nunca irá desfazer-se. Suas pernas fraquejam e você entra em contato com o chão.

[...] It's too late [...]

Nossos momentos passam pela sua cabeça como um filme. E as lágrimas voltam a arder, seu coração bate forte, mas não é de amor, é de remorso.
Meu sorriso te assombra como um fantasma. E você sente falta de um abraço, ou talvez dos meus beijos que eu costumava distribuir em todo o seu corpo. Tudo ao seu redor fica frio, e você se sente sozinho. Meu bem, é aquilo que eu tanto reclamava, isso se chama saudade.

[...] It's too late [...]

Você decide então, correr atrás do tempo perdido, e assim que gira a maçaneta da minha porta, encontra uma casa tão vazia quanto a sua alma. O desespero te invade, e você não consegue controlar a dor. E num instante, milhares de recordações invadem a sua mente. Onde está àquela garota que tanto gostava de chorar?
Ela decidiu ser feliz.
Você mais uma vez não sabe o que fazer para acabar com a dor que te invade. Ora, não há nada a fazer;
É tarde demais.

David Bowie - Station To Station.

28 de março de 2009

As Quatro Paredes;

“Garota de sorte essa Kristen. Saiu do mundo das drogas sem nenhuma seqüela, canta tão bem quanto um rouxinol pela manhã, e namora o garoto mais bonito da cidade de Londres.”
Tablóides mentem, esteja convicto disso. Se eles soubessem o que acontece entre quatro paredes, com certeza ficariam chocados.

Mistakes – Addictions bitters, Paths Crusanders.

23 de março de 2009

Os Meus Olhos;

Olhe dentro dos meus olhos;
e observe como eles se tornaram tão frios.

Procure o brilho que eles tinham;
observe-me de ponta à ponta, e procure o sorriso que tanto iluminava dias.
veja se ainda há algo de bom que eu possa oferecer à alguém.

Procure àquela alegria que contagiava a todos;
o sorriso mais singelo; capaz de encantar pessoas.
E diga-me, o que aconteceu. Apenas diga-me.

Olhe dentro dos meus olhos; e veja a frieza que eles tem.
E por favor, diga-me que não restou somente magoas;
ou qualquer sentimento vão.

8 de março de 2009

Dias Chuvosos;

As gotas de chuva batiam contra o vidro do carro, tão fortes quanto o vento lá fora. Ninguém nunca saberá o quanto ela sente prazer em ouvir os pingos se chocarem contra o chão. O quanto gosta de sentir o cheiro de terra molhada. Sua inspiração voltou a florescer dentro de si, e ela estava fazendo como de costume: escrevendo. Escrever era muito mais que um simples hobby, era uma paixão. É como se ela passasse todo o seu mundo para um pedaço de papel qualquer. Era uma forma de fugir dessa realidade suja que estamos acostumados, de entrar em um mundo onde os amores não são impossíveis. Talvez ela não passe de uma romancista apaixonada pela vida, que simplesmente não consegue enxergar nada de ruim ao seu redor, ela dá atenção somente as coisas simples, porém puras que deixam a sua vida mais colorida. Não passa de mais uma lunática que ainda acredita em amor a primeira vista e que casamentos podem durar a vida toda. Mais uma boba que prefere ficar deitada na grama observando as nuvens ao invés de ir à festa mais badalada, que adora gentilezas. Ou talvez uma maluca, por perder o seu tempo lendo grandes livros empoeirados e cheios de rabiscos, livros com páginas repletas de romances e guerras, onde o bem sempre vence no final. Seria ela mais ligada à alma do que a qualquer coisa? Prefere ver o sorriso sincero de uma pessoa amada, palavras de amor. Talvez seja uma pessoa diferente, por isso tão incompreendida pelas pessoas.
Lá fora os trovões dominavam o céu acinzentado que ela tanto contemplava com um sorriso nos lábios, como se aquilo fosse um espetáculo que ela tanto ansiava presenciar, e ela sabia que era.

Lucky Man

Corri pela rua, como se assim varresse todos os problemas. Corri o máximo que as minhas pernas aguentaram, ou até mais. Como se a minha vida dependesse disso, e sei que dependia. Suas últimas frases ecoavam em minha mente, deixando-me perturbado. Nunca até aquele momento percebi o tamanho da minha sorte. Não importa o que ela fazia para ganhar a vida, sei que juntos conseguiríamos superar isso. Sentia o vento forte beijar a minha pele suada. Logo a camiseta começou a colar em meu corpo, causando certo desconforto, mas nada importa agora. Ao longe via sua figura andar apressada. Gritei o mais alto que pude, gritei até a minha garganta arder. Minhas pernas fraquejaram, e logo meus joelhos sentiram a umidade do asfalto. Uma garoa fina caía por cima de nós. Fechei os olhos, como se assim apagasse todo o desespero.
- Não seja melodramático. – ouvi sua voz ríspida reclamar.
Ainda de olhos fechados, sorri.
- Eu fui um tolo.
- Você é um tolo.
Vi seus olhos claros me fitarem, agora ela sorria, como se nada houvesse acontecido. Sei que se fosse qualquer outra garota, não voltaria. Mas ela não só voltou, como abriu o mais belo sorriso que eu já vi, em sinal de perdão. Qualquer um teria me abandonado sem hesitar, mas ela ainda me ama. Eu não sou mesmo um homem de sorte?

Gotas de Amor

Ela estava lá, sobre o piano, o fitando com os olhos transbordando amor. Olhava cada detalhe, passava a ponta dos dedos sobre o mesmo, com muita delicadeza. Como se ele estivesse vivo. Fechou os olhos, e as lágrimas escorreram de uma só vez. No entanto, a pobre não chorava por causa do piano, e sim por lembranças. Lembranças boas que aquele piano velho lhe proporcionava. Não sabia contar quantas vezes o ouvira tocar, a mais doce canção de amor dedicada a ela. Ou às vezes em que simplesmente ficavam em silêncio, contemplando a beleza que cada um possuía. Agora, sua mente era bombardeada de perguntas, deixando-a mais deprimida. Por quê? Porque tem que ser assim? Porque as pessoas que amamos têm que estar tão longe de nós?

Paz, Amor e Compreensão

Salim nunca demonstrou nenhum tipo de sentimento negativo. Era e é a pessoa mais pura que eu conheci. Sempre com um sorriso sincero nos lábios, dizia o quanto nos amava, e que não suportaria ficar longe de nós nem um só dia. Claro que as pessoas estranham esse fato, nenhuma pessoa no mundo exibe seus sentimentos de forma tão extravagante.
Paquistanês, e insiste em seguir as crenças de lá. Viajou por vários países, até chegar a Londres. Pelo menos aqui, eu o convenci a usar uma calça Jeans. Chegava a ser chato quando reclamava das roupas extremamente curtas das garotas e a maquiagem. Do jeito que falavam, e como eram fúteis. Sempre achei que ele não tinha culpa de ser assim.
Gostava de dizer o que estava sentindo, e demonstrar, às vezes em público. Reclamava quando ele insistia em me abraçar no corredor do colégio, logo depois do primeiro período. Para mim, pura viadagem no corredor. Para ele, a demonstração do sentimento mais nobre.
Conheci Salim na escola. Ele era amigo da minha namorada. Nunca entendi os bilhetes que ele mandava para ela, a forma como a abraçava e dizia o quanto gostava da mesma. Minha cabeça maliciosa pensou as piores coisas possíveis. E o ciúme acabou com o nosso relacionamento conturbado. Fiquei desolado. E Salim foi o único que veio me ajudar, que veio conversar comigo.
A principio achei estranho a sua forma de se expressar e o jeito peculiar de ver o mundo. Estava cego de ciúme, e ele tirou a venda dos meus olhos. Foi um grande amigo, e me ajudou no que pode. Enfim, entendi porque Evan gostava tanto dele. Salim tinha o dom de divertir e fazer todos ao seu redor se sentirem bem em serem eles mesmos. Ele era intenso na forma de agir, e suas palavras eram fortes e firmes. Fez muitas garotas no colégio suspirarem, mas o pobre só tinha olhos para uma, que estava bem longe.
Sempre foi alvo de piadas, mas nunca o vi se importar com isso. Salim nunca perdeu a calma e o bom senso. A única vez que o vi perder a linha foi quando conheceu a minha irmã. Ele era o espelho da decência. Eu achava graça quando ele saia da sala para não ver as cenas de sexo nos filmes.
Salim mudou a minha forma de ver o mundo, mudou o meu jeito de ser. Ele é um exemplo a ser seguido, isso não posso negar.

Salim Mohamed foi criado no dia 24 de Agosto de 2002, em uma tarefa escolar. Meu primeiro personagem fictício, e o preferido.

Verdades

Amor. Um sentimento que muitos julgam ser difícil de entender. Será mesmo? Ou será que são as pessoas que carregam o sentimento no peito é que são?
Cada um tem o seu jeito de ser, de amar. O que é bastante excitante. Cada pessoa tem traços únicos, que definem sua personalidade e o que são. Isso depende do modo que cada um leva a vida. Pessoas apaixonadas são bobas. Esteja convicto disso. Tão bobas que às vezes não enxergam a verdade esbofeteando a própria cara. Pessoas apaixonadas são vulneráveis, sensíveis. Por isso temos que ter muito cuidado, um só erro e a magia acaba. Porque existem pessoas que são capazes de brincar com os sentimentos de uma pessoa? Fingir e mentir para a mesma. Sentem prazer em ver o quanto o parceiro chorar de amor por eles? Ou porque são incapazes de amar? Existem pessoas que tem medo de se apaixonar. São tão vulneráveis quanto os apaixonados. Às vezes não são seguras de si, e tem que rebaixar os outros para se sentirem felizes e superiores. A quantidade de pessoas desse tipo no mundo esta aumentando a cada dia. É como uma doença que está infectando todas as pessoas. Elas têm medo de sofrer. Sem saber que o sofrimento não passa de um simples aprendizado. Como podemos espalhar o amor entre essas pessoas? Sendo nós mesmos? Mas como, se nós estamos em menor número, em desvantagem? Você entende o meu raciocínio?

Realidade Sobressaltante

Não acho que sou tão grossa e hostil como as pessoas dizem. Temperamentais são vocês, que são incapazes de escutar a verdade sem pelo menos soltar um palavrão bem feio. Tenho dó de quem segue as modinhas da vez, tenho dó das pessoas que tem mil amigos e não pode confiar em nenhum. Tenho dó das pessoas que tem vergonha da própria família e abomino o fato de vocês se sentirem no direito de criticar alguém. Também não tenho esse direito, mas e daí? O que você irá fazer para eu parar?
Odeio carros e os danos que ele causa a minha tão amada natureza. Odeio fábricas e os joguinhos de marketing. Não interessa o porquê. Odeio ter que levantar cedo. Odeio o fato de você estar tão longe.
Odeio principalmente a sociedade em que vivemos. Queria poder mudar o mundo inteiro. Deixá-lo tão lindo quanto o gramado depois da chuva, tão verde e brilhante. Mas sou apenas uma em um milhão, apenas uma que ainda perde o seu tempo pensando no quanto seria bom se as pessoas vivessem em harmonia.

Uma manhã que se preze

Chantilly – França, 15 de Dezembro de 2008.

Era inverno, mesmo assim o sol insistia em aparecer lindamente no alto de nossas cabeças. Deve ser por causa do aquecimento global, deixa o tempo doido. E então, aproveitei aquela linda manhã ensolarada para passear de bicicleta pela cidade, e me deparei com a mais bela das garotas. Era tão linda que, mais parecia ser obra dos anjos. Nunca consegui definir a cor de seus cabelos, mas naquele dia de sol, eles pareciam ser loiros. Um loiro queimado, bem discreto. Tinha a pele branquinha e macia, como as nuvens que enfeitavam o céu. E usava um vestido tomara-que-caia vermelho e branco, e com algumas flores. Trazia nas mãos um saco de papel pardo, com frutas dos mais variados tipos. Achei aquela cena a mais bonita de todas, e fiquei contemplando-a sem pudor algum. Ela tinha um sorriso lindo, e às vezes acenava alegremente para pessoas que estavam varrendo a calçada de suas casas. Fiquei tão extasiado com a cena que até me esqueci que estava andando de bicicleta bem na sua frente e que poderia atropelá-la a qualquer momento. Não deu outra. Quando percebi já estava em cima da garota que largou o saco de frutas e caiu das escadas da praça junto comigo e a bendita bicicleta. Logo me encontrei deitado ao chão com várias frutas ao meu redor. E a garota dos cabelos dourados bem em cima de mim.
- Menina, está bem? – perguntei enquanto tentava me levantar.
Ela não me respondeu. Simplesmente levantou como se nada tivesse acontecido e ajeitou seu vestido. Agora, olhando de perto ela parecia ser mais bela, seus olhos eram castanhos escuros e seu rosto salpicado de sardas. Esperava que ela me enchesse de chingamentos ou me batesse. Mas ao invés disso sorriu meigamente. Fiquei sem graça, então comecei a juntar as frutas novamente, mas algumas delas já estavam tão longe e outras pisoteadas pelas pessoas que passavam por ali e observavam a cena. Consegui juntar um punhado de morangos e uvas em minhas mãos. Ela me encarava sorridente.
- Desculpe! – pedi um pouco constrangido.
Ela pegou um morango do punhado que eu havia montado, o mais bonito e vermelho deles e o limpou na barra de seu vestido.
- Não tem nada! – disse ela.
E saiu cantarolando bem debaixo do meu nariz me deixando ainda mais confuso. Voltei a olhar o punhado de frutas e a encara-lá. Havia parado um instante para lavar a fruta no bebedouro, e então o colocou na boca e acenou alegremente antes de partir. E eu, só conseguia rir da situação enquanto as pessoas me encaravam abobadas.

Para; Karoline Munhoz, a imagem perfeita da compreensão.

"Diversão"

- Tenho sérios problemas com horários! - eu disse tentando justificar o atraso.
- É eu sei - foi o que ela respondeu - Mas acho que cheguei cedo demais!
De fato era verdade. E passar esse tempo assistindo Dragon Ball Z não deve ter sido tão satisfatório para ela. E então finalmente colocar os pés para fora de casa, mas antes ser bombardeadas de perguntas por uma senhora medrosa.
Ver nossos queridos colegas de escola beber bebidas alcoólicas e fumarem até os pulmões estrebucharem. Irem em ônibus separados, demorar horas para nos encontrar em um parque que afinal, nem é tão grande assim.
Ao chegar, o clima muda. Os rostos entediados de tanto esperar mudam para sorrisos alegres e até, cheios de malícia.
A primeira coisa que fizemos, foi pegar a maior fila. Não seria nada afinal.
- Eu não estou sentindo as minhas pernas. - reclamou ela.
Sorte que não havíamos levado mochilas gigantescas, pois só o peso dos nossos corpos já parecia ser insuportável de aguentar. Passamos horas a fio entediadas somente a observar o brinquedo dar voltas e mais voltas me fazendo sofrer de antecipação.
Parecia o inferno! O sol fritava todo o meu corpo me deixava mais sonolenta e entediada enquanto ao lado a Xuxa cantava como um morcego com reumatismo.
"Água", essa era a única coisa que eu conseguia pensar. E depois de exatas três horas de espera, eu já estava ficando doente.
- Eu não vou conseguir pegar fila nenhuma depois disso aqui! - repetia ela. - Depois eu quero comer.
O sono começava a me atacar também, quando percebi que já estávamos perto, Sentei no chão e dei graças a Deus, mesmo que não estivesse tão alegre.
Quando me vi sentada no brinquedo, olhei ao meu redor, todos com a mesma cara de entediados que a minha. De que adianta o brinquedo ser o mais legal, mas perde toda a graça enquanto ficamos mofando na fila? Comecei a pensar se todo esse esforço valia realmente a pena.
Não durou nem dois minutos. "Porcaria de brinquedo!" Pensei comigo, enquanto procurava sair desesperadamente à procura de água.
- Quero comer - foi suas primeiras palavras depois de beber toda a água que podia.
Na praça de alimentação, mais filas. Eu a esperei sentada enquanto ela demorava mais uma hora para poder comprar o lanche.
Quando esta chegou eu já havia perdido a fome e a paciência, e pedia incessantemente pela minha cama, apesar de ainda ser cinco da tarde.
- Esse lanche deveria ser maior - reclamava - Eles só aumentaram o refrigerante. Eu paguei dezesseis reais nisso, poxa!
Andamos pelo parque fugimos de conhecidos o quanto podíamos. E então pegamos outra fila, dessa vez não tão grande. Descansadas e satisfeitas, era muito mais fácil agora.
Não nos divertimos a valer como queríamos, mais foi o suficiente para ser inesquecível.
E lá no estacionamento, procurando nossos ônibus como duas baratas tontas não foi a melhor parte do passeio. Enfim, tivemos que nos separar outra vez.
Enquanto tentava dormir ouvia coisas como "você pegou quantas?" ou "em quantos brinquedos você foi?" e flashes de câmeras. A única coisa que eu conseguia pensar, era na minha cama.

Para; Bruna Fleming, que insiste em mudar ditados populares.

Corredor;

Deus sabe o que já passou por aqui. Tão escuro e sombrio, tão... VAZIO! A única coisa que identifico é a minha respiração ofegante e o som dos meus passos sobre o chão molhado. Nenhum sinal de vida, uma luz. Nada. Enquanto isso o desespero corrompe a minha alma atormentada pelo medo. Nunca fui uma pessoa corajosa de fato.
O que seria de mim se resolvesse desistir agora? Parar e morrer aqui, sem ao menos tentar encontrar a saída. Às vezes a morte é a única saída, mas para quê morrer em vão se a esperança ainda prevalece em mim?

Para; Hanna Horn.

Paz de Espírito;

Diga-me se há coisa melhor que essa? Estar sozinho em casa, esticado sobre a cama observando a brancura do teto que parece aumentar ainda mais o cansaço. Aquela música chata, que não sai da sua cabeça tocando no rádio ligado no volume médio. Fechar os olhos e sentir a calma te envolver. Sem vozes, sem gritos, sem preocupações ou lamentos. Somente você e seu espírito. Talvez você nem se importe com o seu estado de espírito agora, quem sabe.
Os nervos que antes estavam à flor da pele vão acalmando-se lentamente de uma forma menos estressante. Não pense em nada, só em você mesmo. Sinta a música, a sintonia, sua própria respiração densa e pesada. Algum tempo de inconsciência e você estará melhor.
Mais uma vez os gritos, os carros fazendo barulhos estridentes na rua e soltando gases mortíferos e poluindo o ambiente calmo e sereno que tanto te fazia bem. As pessoas apressadas vivendo no limite. E não há como descer.

Garota Interrompida

Era incapaz de sonhar.
O azul de seus olhos me dava medo, mas apesar de tudo, me via cada vez mais apaixonado por ela. Criatura estranha, egocêntrica, e irritantemente maquiavélica. Tão maliciosa quanto eu, irresistível. Ela era assim, um sonho pra mim. Mas aos poucos vi esse sonho ficar cada vez mais distante, perdia o ar. Onde estará a luz que iluminava os meus dias? Lembro-me bem de cada noite que passamos juntos, cada palavra sussurrada no ouvido ou cada reação a cada movimento meu. Seu sorriso doce foi novamente substituído por um olhar duro, frio, tão seco quanto às folhas alaranjadas que agora caiam lentamente pelas calçadas. Seu sorriso debochado e cheio de maldade voltou a reinar em sua face. Estava fora de si. Cada passo que esta dava era só para distanciar-se de mim, abria um buraco dentro de meu peito. De repente um desespero me invade, uma vontade de abraçá-la novamente dizer que estou aqui para tudo que precisasse. Mas ela não queria mais o meu apoio. Não tinha coração, não tinha alma. Vagava pelas ruas completamente sem rumo, não pensava, não falava. Não fazia nada que pudesse abalar a sua paz interior que sequer existia. Cada vez mais vazia, largada, não se importava com nada, somente com o seu maldito vício que a consumia por inteiro. Só ela não percebia, claro, não havia como, era uma semimorta. Cada gota de heroína que diluía-se em seu sangue era uma gota de morte, uma gota que representava o seu desespero de uma forma tão triste. Não havia mais vida dentro dela, era apenas um corpo vazio dominado pela pior praga.
Foi a menina mais talentosa que conheci, tocava violão, escrevia bem, tinha opinião própria e era bonita. O que mais poderia pedir? Era perfeita! Cantava tão bem quanto um rouxinol pela manhã de primavera. E era tão sutil que me deixava excitado. Seu alemão fluente me deixava feliz, assim como cada fio de cabelo castanho amendoado e ondulado que ela insistia em colocar para trás. Sua forma de falar me tranquilizava. Era perfeita.
Mas no instante que a vi inconsciente pela primeira vez, tão fria, com tanto rancor. Gritava como uma louca, não queria viver. Tinha marcas de violência feitas por ela mesma nos braços. No instante em que a vi fora de si novamente, senti como se uma parte de mim agonizasse da forma mais lenta e triste possível, sentia que uma parte de mim morria.