29 de março de 2009

It's Too Late

[...] yeah... I must be only one in a million [...]

E a dor que eu sentia a cada vez que você aparecia foi diluindo-se, como heroína em meu sangue. Só que a droga que você me proporcionava não fazia mais efeito, a droga do amor que eu sentia não faz mais efeito.
As coisas mudaram agora, pelo menos para mim. Ainda sinto a sua falta, mas não tanto quanto ontem, e com certeza amanhã sentirei muito menos, é isso que ainda me mantém viva. O tempo passa, até para mim.

[...] I won't let the day pass without her [...]

Eu contava os minutos pra te ver, mas o relógio me odiava.
O tempo passa.
E os minutos que eu contava foram deixados para trás.
Mas seu cheiro ainda está em mim, e a lembrança da nossa última noite, que insistem em invadir a minha mente.
Eu sou a vítima, mas também sou a assassina.
Eu quis assassinar esse amor, ou quem acabaria morta seria eu.

[...]It's too late - to be grateful[...]

E o tempo passa.
E os ponteiros que antes caminhavam lentamente, aproveitando-se do meu sofrimento e se banhando em minhas lágrimas, agora correm. Correm, porque agora ninguém mais os observa, com os olhos receosos esperando você chegar.
Isso é doloroso para você?
Ora, mas você nunca deu valor.

[...]It's too late - to be late again[...]

Aquela dor já não habita o meu coração. As lágrimas não queimam mais o meu rosto. E eu já me acostumei a deixar o telefone desligado.
O sorriso voltou a brotar em minha face. Eu sabia que isso iria acontecer, é como o nascer do sol. Mas a sua sombra pairava sobre a minha mente, deixando-me transtornada. Agora nada disso existe mais, eu estou livre.

[...]It's too late - to be hateful [...]

E então as primeiras sensações começam a aparecer.
Ninguém mais espera você chegar, o seu telefone não toca mais.
O céu está escuro, sem nenhuma estrela o enfeitando, Como a sua alma vazia.
Você então percebe que está sozinho. Onde está àquela garota que gostava de chorar?
Você não sabe dizer.
Então você procura o meu número no seu arquivo morto, e quando finalmente o acha, seu coração dispara.

[...] The European cannon is here [...]

Você aperta os botões apressadamente, e enquanto ouve o telefone chamar diversas vezes, sente uma pontada de remorso.
As primeiras gotas de sofrimento começam a invadir os seus olhos, transbordam e escorrem lentamente pelo seu rosto. Elas ardem, mesmo que figurativamente, mas ardem como ácido. Essas são as lágrimas que eu disse que doíam tanto.
Um nó está preso em sua garganta, e parece que nunca irá desfazer-se. Suas pernas fraquejam e você entra em contato com o chão.

[...] It's too late [...]

Nossos momentos passam pela sua cabeça como um filme. E as lágrimas voltam a arder, seu coração bate forte, mas não é de amor, é de remorso.
Meu sorriso te assombra como um fantasma. E você sente falta de um abraço, ou talvez dos meus beijos que eu costumava distribuir em todo o seu corpo. Tudo ao seu redor fica frio, e você se sente sozinho. Meu bem, é aquilo que eu tanto reclamava, isso se chama saudade.

[...] It's too late [...]

Você decide então, correr atrás do tempo perdido, e assim que gira a maçaneta da minha porta, encontra uma casa tão vazia quanto a sua alma. O desespero te invade, e você não consegue controlar a dor. E num instante, milhares de recordações invadem a sua mente. Onde está àquela garota que tanto gostava de chorar?
Ela decidiu ser feliz.
Você mais uma vez não sabe o que fazer para acabar com a dor que te invade. Ora, não há nada a fazer;
É tarde demais.

David Bowie - Station To Station.

28 de março de 2009

As Quatro Paredes;

“Garota de sorte essa Kristen. Saiu do mundo das drogas sem nenhuma seqüela, canta tão bem quanto um rouxinol pela manhã, e namora o garoto mais bonito da cidade de Londres.”
Tablóides mentem, esteja convicto disso. Se eles soubessem o que acontece entre quatro paredes, com certeza ficariam chocados.

Mistakes – Addictions bitters, Paths Crusanders.

23 de março de 2009

Os Meus Olhos;

Olhe dentro dos meus olhos;
e observe como eles se tornaram tão frios.

Procure o brilho que eles tinham;
observe-me de ponta à ponta, e procure o sorriso que tanto iluminava dias.
veja se ainda há algo de bom que eu possa oferecer à alguém.

Procure àquela alegria que contagiava a todos;
o sorriso mais singelo; capaz de encantar pessoas.
E diga-me, o que aconteceu. Apenas diga-me.

Olhe dentro dos meus olhos; e veja a frieza que eles tem.
E por favor, diga-me que não restou somente magoas;
ou qualquer sentimento vão.

8 de março de 2009

Dias Chuvosos;

As gotas de chuva batiam contra o vidro do carro, tão fortes quanto o vento lá fora. Ninguém nunca saberá o quanto ela sente prazer em ouvir os pingos se chocarem contra o chão. O quanto gosta de sentir o cheiro de terra molhada. Sua inspiração voltou a florescer dentro de si, e ela estava fazendo como de costume: escrevendo. Escrever era muito mais que um simples hobby, era uma paixão. É como se ela passasse todo o seu mundo para um pedaço de papel qualquer. Era uma forma de fugir dessa realidade suja que estamos acostumados, de entrar em um mundo onde os amores não são impossíveis. Talvez ela não passe de uma romancista apaixonada pela vida, que simplesmente não consegue enxergar nada de ruim ao seu redor, ela dá atenção somente as coisas simples, porém puras que deixam a sua vida mais colorida. Não passa de mais uma lunática que ainda acredita em amor a primeira vista e que casamentos podem durar a vida toda. Mais uma boba que prefere ficar deitada na grama observando as nuvens ao invés de ir à festa mais badalada, que adora gentilezas. Ou talvez uma maluca, por perder o seu tempo lendo grandes livros empoeirados e cheios de rabiscos, livros com páginas repletas de romances e guerras, onde o bem sempre vence no final. Seria ela mais ligada à alma do que a qualquer coisa? Prefere ver o sorriso sincero de uma pessoa amada, palavras de amor. Talvez seja uma pessoa diferente, por isso tão incompreendida pelas pessoas.
Lá fora os trovões dominavam o céu acinzentado que ela tanto contemplava com um sorriso nos lábios, como se aquilo fosse um espetáculo que ela tanto ansiava presenciar, e ela sabia que era.

Lucky Man

Corri pela rua, como se assim varresse todos os problemas. Corri o máximo que as minhas pernas aguentaram, ou até mais. Como se a minha vida dependesse disso, e sei que dependia. Suas últimas frases ecoavam em minha mente, deixando-me perturbado. Nunca até aquele momento percebi o tamanho da minha sorte. Não importa o que ela fazia para ganhar a vida, sei que juntos conseguiríamos superar isso. Sentia o vento forte beijar a minha pele suada. Logo a camiseta começou a colar em meu corpo, causando certo desconforto, mas nada importa agora. Ao longe via sua figura andar apressada. Gritei o mais alto que pude, gritei até a minha garganta arder. Minhas pernas fraquejaram, e logo meus joelhos sentiram a umidade do asfalto. Uma garoa fina caía por cima de nós. Fechei os olhos, como se assim apagasse todo o desespero.
- Não seja melodramático. – ouvi sua voz ríspida reclamar.
Ainda de olhos fechados, sorri.
- Eu fui um tolo.
- Você é um tolo.
Vi seus olhos claros me fitarem, agora ela sorria, como se nada houvesse acontecido. Sei que se fosse qualquer outra garota, não voltaria. Mas ela não só voltou, como abriu o mais belo sorriso que eu já vi, em sinal de perdão. Qualquer um teria me abandonado sem hesitar, mas ela ainda me ama. Eu não sou mesmo um homem de sorte?

Gotas de Amor

Ela estava lá, sobre o piano, o fitando com os olhos transbordando amor. Olhava cada detalhe, passava a ponta dos dedos sobre o mesmo, com muita delicadeza. Como se ele estivesse vivo. Fechou os olhos, e as lágrimas escorreram de uma só vez. No entanto, a pobre não chorava por causa do piano, e sim por lembranças. Lembranças boas que aquele piano velho lhe proporcionava. Não sabia contar quantas vezes o ouvira tocar, a mais doce canção de amor dedicada a ela. Ou às vezes em que simplesmente ficavam em silêncio, contemplando a beleza que cada um possuía. Agora, sua mente era bombardeada de perguntas, deixando-a mais deprimida. Por quê? Porque tem que ser assim? Porque as pessoas que amamos têm que estar tão longe de nós?

Paz, Amor e Compreensão

Salim nunca demonstrou nenhum tipo de sentimento negativo. Era e é a pessoa mais pura que eu conheci. Sempre com um sorriso sincero nos lábios, dizia o quanto nos amava, e que não suportaria ficar longe de nós nem um só dia. Claro que as pessoas estranham esse fato, nenhuma pessoa no mundo exibe seus sentimentos de forma tão extravagante.
Paquistanês, e insiste em seguir as crenças de lá. Viajou por vários países, até chegar a Londres. Pelo menos aqui, eu o convenci a usar uma calça Jeans. Chegava a ser chato quando reclamava das roupas extremamente curtas das garotas e a maquiagem. Do jeito que falavam, e como eram fúteis. Sempre achei que ele não tinha culpa de ser assim.
Gostava de dizer o que estava sentindo, e demonstrar, às vezes em público. Reclamava quando ele insistia em me abraçar no corredor do colégio, logo depois do primeiro período. Para mim, pura viadagem no corredor. Para ele, a demonstração do sentimento mais nobre.
Conheci Salim na escola. Ele era amigo da minha namorada. Nunca entendi os bilhetes que ele mandava para ela, a forma como a abraçava e dizia o quanto gostava da mesma. Minha cabeça maliciosa pensou as piores coisas possíveis. E o ciúme acabou com o nosso relacionamento conturbado. Fiquei desolado. E Salim foi o único que veio me ajudar, que veio conversar comigo.
A principio achei estranho a sua forma de se expressar e o jeito peculiar de ver o mundo. Estava cego de ciúme, e ele tirou a venda dos meus olhos. Foi um grande amigo, e me ajudou no que pode. Enfim, entendi porque Evan gostava tanto dele. Salim tinha o dom de divertir e fazer todos ao seu redor se sentirem bem em serem eles mesmos. Ele era intenso na forma de agir, e suas palavras eram fortes e firmes. Fez muitas garotas no colégio suspirarem, mas o pobre só tinha olhos para uma, que estava bem longe.
Sempre foi alvo de piadas, mas nunca o vi se importar com isso. Salim nunca perdeu a calma e o bom senso. A única vez que o vi perder a linha foi quando conheceu a minha irmã. Ele era o espelho da decência. Eu achava graça quando ele saia da sala para não ver as cenas de sexo nos filmes.
Salim mudou a minha forma de ver o mundo, mudou o meu jeito de ser. Ele é um exemplo a ser seguido, isso não posso negar.

Salim Mohamed foi criado no dia 24 de Agosto de 2002, em uma tarefa escolar. Meu primeiro personagem fictício, e o preferido.

Verdades

Amor. Um sentimento que muitos julgam ser difícil de entender. Será mesmo? Ou será que são as pessoas que carregam o sentimento no peito é que são?
Cada um tem o seu jeito de ser, de amar. O que é bastante excitante. Cada pessoa tem traços únicos, que definem sua personalidade e o que são. Isso depende do modo que cada um leva a vida. Pessoas apaixonadas são bobas. Esteja convicto disso. Tão bobas que às vezes não enxergam a verdade esbofeteando a própria cara. Pessoas apaixonadas são vulneráveis, sensíveis. Por isso temos que ter muito cuidado, um só erro e a magia acaba. Porque existem pessoas que são capazes de brincar com os sentimentos de uma pessoa? Fingir e mentir para a mesma. Sentem prazer em ver o quanto o parceiro chorar de amor por eles? Ou porque são incapazes de amar? Existem pessoas que tem medo de se apaixonar. São tão vulneráveis quanto os apaixonados. Às vezes não são seguras de si, e tem que rebaixar os outros para se sentirem felizes e superiores. A quantidade de pessoas desse tipo no mundo esta aumentando a cada dia. É como uma doença que está infectando todas as pessoas. Elas têm medo de sofrer. Sem saber que o sofrimento não passa de um simples aprendizado. Como podemos espalhar o amor entre essas pessoas? Sendo nós mesmos? Mas como, se nós estamos em menor número, em desvantagem? Você entende o meu raciocínio?

Realidade Sobressaltante

Não acho que sou tão grossa e hostil como as pessoas dizem. Temperamentais são vocês, que são incapazes de escutar a verdade sem pelo menos soltar um palavrão bem feio. Tenho dó de quem segue as modinhas da vez, tenho dó das pessoas que tem mil amigos e não pode confiar em nenhum. Tenho dó das pessoas que tem vergonha da própria família e abomino o fato de vocês se sentirem no direito de criticar alguém. Também não tenho esse direito, mas e daí? O que você irá fazer para eu parar?
Odeio carros e os danos que ele causa a minha tão amada natureza. Odeio fábricas e os joguinhos de marketing. Não interessa o porquê. Odeio ter que levantar cedo. Odeio o fato de você estar tão longe.
Odeio principalmente a sociedade em que vivemos. Queria poder mudar o mundo inteiro. Deixá-lo tão lindo quanto o gramado depois da chuva, tão verde e brilhante. Mas sou apenas uma em um milhão, apenas uma que ainda perde o seu tempo pensando no quanto seria bom se as pessoas vivessem em harmonia.

Uma manhã que se preze

Chantilly – França, 15 de Dezembro de 2008.

Era inverno, mesmo assim o sol insistia em aparecer lindamente no alto de nossas cabeças. Deve ser por causa do aquecimento global, deixa o tempo doido. E então, aproveitei aquela linda manhã ensolarada para passear de bicicleta pela cidade, e me deparei com a mais bela das garotas. Era tão linda que, mais parecia ser obra dos anjos. Nunca consegui definir a cor de seus cabelos, mas naquele dia de sol, eles pareciam ser loiros. Um loiro queimado, bem discreto. Tinha a pele branquinha e macia, como as nuvens que enfeitavam o céu. E usava um vestido tomara-que-caia vermelho e branco, e com algumas flores. Trazia nas mãos um saco de papel pardo, com frutas dos mais variados tipos. Achei aquela cena a mais bonita de todas, e fiquei contemplando-a sem pudor algum. Ela tinha um sorriso lindo, e às vezes acenava alegremente para pessoas que estavam varrendo a calçada de suas casas. Fiquei tão extasiado com a cena que até me esqueci que estava andando de bicicleta bem na sua frente e que poderia atropelá-la a qualquer momento. Não deu outra. Quando percebi já estava em cima da garota que largou o saco de frutas e caiu das escadas da praça junto comigo e a bendita bicicleta. Logo me encontrei deitado ao chão com várias frutas ao meu redor. E a garota dos cabelos dourados bem em cima de mim.
- Menina, está bem? – perguntei enquanto tentava me levantar.
Ela não me respondeu. Simplesmente levantou como se nada tivesse acontecido e ajeitou seu vestido. Agora, olhando de perto ela parecia ser mais bela, seus olhos eram castanhos escuros e seu rosto salpicado de sardas. Esperava que ela me enchesse de chingamentos ou me batesse. Mas ao invés disso sorriu meigamente. Fiquei sem graça, então comecei a juntar as frutas novamente, mas algumas delas já estavam tão longe e outras pisoteadas pelas pessoas que passavam por ali e observavam a cena. Consegui juntar um punhado de morangos e uvas em minhas mãos. Ela me encarava sorridente.
- Desculpe! – pedi um pouco constrangido.
Ela pegou um morango do punhado que eu havia montado, o mais bonito e vermelho deles e o limpou na barra de seu vestido.
- Não tem nada! – disse ela.
E saiu cantarolando bem debaixo do meu nariz me deixando ainda mais confuso. Voltei a olhar o punhado de frutas e a encara-lá. Havia parado um instante para lavar a fruta no bebedouro, e então o colocou na boca e acenou alegremente antes de partir. E eu, só conseguia rir da situação enquanto as pessoas me encaravam abobadas.

Para; Karoline Munhoz, a imagem perfeita da compreensão.

"Diversão"

- Tenho sérios problemas com horários! - eu disse tentando justificar o atraso.
- É eu sei - foi o que ela respondeu - Mas acho que cheguei cedo demais!
De fato era verdade. E passar esse tempo assistindo Dragon Ball Z não deve ter sido tão satisfatório para ela. E então finalmente colocar os pés para fora de casa, mas antes ser bombardeadas de perguntas por uma senhora medrosa.
Ver nossos queridos colegas de escola beber bebidas alcoólicas e fumarem até os pulmões estrebucharem. Irem em ônibus separados, demorar horas para nos encontrar em um parque que afinal, nem é tão grande assim.
Ao chegar, o clima muda. Os rostos entediados de tanto esperar mudam para sorrisos alegres e até, cheios de malícia.
A primeira coisa que fizemos, foi pegar a maior fila. Não seria nada afinal.
- Eu não estou sentindo as minhas pernas. - reclamou ela.
Sorte que não havíamos levado mochilas gigantescas, pois só o peso dos nossos corpos já parecia ser insuportável de aguentar. Passamos horas a fio entediadas somente a observar o brinquedo dar voltas e mais voltas me fazendo sofrer de antecipação.
Parecia o inferno! O sol fritava todo o meu corpo me deixava mais sonolenta e entediada enquanto ao lado a Xuxa cantava como um morcego com reumatismo.
"Água", essa era a única coisa que eu conseguia pensar. E depois de exatas três horas de espera, eu já estava ficando doente.
- Eu não vou conseguir pegar fila nenhuma depois disso aqui! - repetia ela. - Depois eu quero comer.
O sono começava a me atacar também, quando percebi que já estávamos perto, Sentei no chão e dei graças a Deus, mesmo que não estivesse tão alegre.
Quando me vi sentada no brinquedo, olhei ao meu redor, todos com a mesma cara de entediados que a minha. De que adianta o brinquedo ser o mais legal, mas perde toda a graça enquanto ficamos mofando na fila? Comecei a pensar se todo esse esforço valia realmente a pena.
Não durou nem dois minutos. "Porcaria de brinquedo!" Pensei comigo, enquanto procurava sair desesperadamente à procura de água.
- Quero comer - foi suas primeiras palavras depois de beber toda a água que podia.
Na praça de alimentação, mais filas. Eu a esperei sentada enquanto ela demorava mais uma hora para poder comprar o lanche.
Quando esta chegou eu já havia perdido a fome e a paciência, e pedia incessantemente pela minha cama, apesar de ainda ser cinco da tarde.
- Esse lanche deveria ser maior - reclamava - Eles só aumentaram o refrigerante. Eu paguei dezesseis reais nisso, poxa!
Andamos pelo parque fugimos de conhecidos o quanto podíamos. E então pegamos outra fila, dessa vez não tão grande. Descansadas e satisfeitas, era muito mais fácil agora.
Não nos divertimos a valer como queríamos, mais foi o suficiente para ser inesquecível.
E lá no estacionamento, procurando nossos ônibus como duas baratas tontas não foi a melhor parte do passeio. Enfim, tivemos que nos separar outra vez.
Enquanto tentava dormir ouvia coisas como "você pegou quantas?" ou "em quantos brinquedos você foi?" e flashes de câmeras. A única coisa que eu conseguia pensar, era na minha cama.

Para; Bruna Fleming, que insiste em mudar ditados populares.

Corredor;

Deus sabe o que já passou por aqui. Tão escuro e sombrio, tão... VAZIO! A única coisa que identifico é a minha respiração ofegante e o som dos meus passos sobre o chão molhado. Nenhum sinal de vida, uma luz. Nada. Enquanto isso o desespero corrompe a minha alma atormentada pelo medo. Nunca fui uma pessoa corajosa de fato.
O que seria de mim se resolvesse desistir agora? Parar e morrer aqui, sem ao menos tentar encontrar a saída. Às vezes a morte é a única saída, mas para quê morrer em vão se a esperança ainda prevalece em mim?

Para; Hanna Horn.

Paz de Espírito;

Diga-me se há coisa melhor que essa? Estar sozinho em casa, esticado sobre a cama observando a brancura do teto que parece aumentar ainda mais o cansaço. Aquela música chata, que não sai da sua cabeça tocando no rádio ligado no volume médio. Fechar os olhos e sentir a calma te envolver. Sem vozes, sem gritos, sem preocupações ou lamentos. Somente você e seu espírito. Talvez você nem se importe com o seu estado de espírito agora, quem sabe.
Os nervos que antes estavam à flor da pele vão acalmando-se lentamente de uma forma menos estressante. Não pense em nada, só em você mesmo. Sinta a música, a sintonia, sua própria respiração densa e pesada. Algum tempo de inconsciência e você estará melhor.
Mais uma vez os gritos, os carros fazendo barulhos estridentes na rua e soltando gases mortíferos e poluindo o ambiente calmo e sereno que tanto te fazia bem. As pessoas apressadas vivendo no limite. E não há como descer.

Garota Interrompida

Era incapaz de sonhar.
O azul de seus olhos me dava medo, mas apesar de tudo, me via cada vez mais apaixonado por ela. Criatura estranha, egocêntrica, e irritantemente maquiavélica. Tão maliciosa quanto eu, irresistível. Ela era assim, um sonho pra mim. Mas aos poucos vi esse sonho ficar cada vez mais distante, perdia o ar. Onde estará a luz que iluminava os meus dias? Lembro-me bem de cada noite que passamos juntos, cada palavra sussurrada no ouvido ou cada reação a cada movimento meu. Seu sorriso doce foi novamente substituído por um olhar duro, frio, tão seco quanto às folhas alaranjadas que agora caiam lentamente pelas calçadas. Seu sorriso debochado e cheio de maldade voltou a reinar em sua face. Estava fora de si. Cada passo que esta dava era só para distanciar-se de mim, abria um buraco dentro de meu peito. De repente um desespero me invade, uma vontade de abraçá-la novamente dizer que estou aqui para tudo que precisasse. Mas ela não queria mais o meu apoio. Não tinha coração, não tinha alma. Vagava pelas ruas completamente sem rumo, não pensava, não falava. Não fazia nada que pudesse abalar a sua paz interior que sequer existia. Cada vez mais vazia, largada, não se importava com nada, somente com o seu maldito vício que a consumia por inteiro. Só ela não percebia, claro, não havia como, era uma semimorta. Cada gota de heroína que diluía-se em seu sangue era uma gota de morte, uma gota que representava o seu desespero de uma forma tão triste. Não havia mais vida dentro dela, era apenas um corpo vazio dominado pela pior praga.
Foi a menina mais talentosa que conheci, tocava violão, escrevia bem, tinha opinião própria e era bonita. O que mais poderia pedir? Era perfeita! Cantava tão bem quanto um rouxinol pela manhã de primavera. E era tão sutil que me deixava excitado. Seu alemão fluente me deixava feliz, assim como cada fio de cabelo castanho amendoado e ondulado que ela insistia em colocar para trás. Sua forma de falar me tranquilizava. Era perfeita.
Mas no instante que a vi inconsciente pela primeira vez, tão fria, com tanto rancor. Gritava como uma louca, não queria viver. Tinha marcas de violência feitas por ela mesma nos braços. No instante em que a vi fora de si novamente, senti como se uma parte de mim agonizasse da forma mais lenta e triste possível, sentia que uma parte de mim morria.