8 de março de 2009

"Diversão"

- Tenho sérios problemas com horários! - eu disse tentando justificar o atraso.
- É eu sei - foi o que ela respondeu - Mas acho que cheguei cedo demais!
De fato era verdade. E passar esse tempo assistindo Dragon Ball Z não deve ter sido tão satisfatório para ela. E então finalmente colocar os pés para fora de casa, mas antes ser bombardeadas de perguntas por uma senhora medrosa.
Ver nossos queridos colegas de escola beber bebidas alcoólicas e fumarem até os pulmões estrebucharem. Irem em ônibus separados, demorar horas para nos encontrar em um parque que afinal, nem é tão grande assim.
Ao chegar, o clima muda. Os rostos entediados de tanto esperar mudam para sorrisos alegres e até, cheios de malícia.
A primeira coisa que fizemos, foi pegar a maior fila. Não seria nada afinal.
- Eu não estou sentindo as minhas pernas. - reclamou ela.
Sorte que não havíamos levado mochilas gigantescas, pois só o peso dos nossos corpos já parecia ser insuportável de aguentar. Passamos horas a fio entediadas somente a observar o brinquedo dar voltas e mais voltas me fazendo sofrer de antecipação.
Parecia o inferno! O sol fritava todo o meu corpo me deixava mais sonolenta e entediada enquanto ao lado a Xuxa cantava como um morcego com reumatismo.
"Água", essa era a única coisa que eu conseguia pensar. E depois de exatas três horas de espera, eu já estava ficando doente.
- Eu não vou conseguir pegar fila nenhuma depois disso aqui! - repetia ela. - Depois eu quero comer.
O sono começava a me atacar também, quando percebi que já estávamos perto, Sentei no chão e dei graças a Deus, mesmo que não estivesse tão alegre.
Quando me vi sentada no brinquedo, olhei ao meu redor, todos com a mesma cara de entediados que a minha. De que adianta o brinquedo ser o mais legal, mas perde toda a graça enquanto ficamos mofando na fila? Comecei a pensar se todo esse esforço valia realmente a pena.
Não durou nem dois minutos. "Porcaria de brinquedo!" Pensei comigo, enquanto procurava sair desesperadamente à procura de água.
- Quero comer - foi suas primeiras palavras depois de beber toda a água que podia.
Na praça de alimentação, mais filas. Eu a esperei sentada enquanto ela demorava mais uma hora para poder comprar o lanche.
Quando esta chegou eu já havia perdido a fome e a paciência, e pedia incessantemente pela minha cama, apesar de ainda ser cinco da tarde.
- Esse lanche deveria ser maior - reclamava - Eles só aumentaram o refrigerante. Eu paguei dezesseis reais nisso, poxa!
Andamos pelo parque fugimos de conhecidos o quanto podíamos. E então pegamos outra fila, dessa vez não tão grande. Descansadas e satisfeitas, era muito mais fácil agora.
Não nos divertimos a valer como queríamos, mais foi o suficiente para ser inesquecível.
E lá no estacionamento, procurando nossos ônibus como duas baratas tontas não foi a melhor parte do passeio. Enfim, tivemos que nos separar outra vez.
Enquanto tentava dormir ouvia coisas como "você pegou quantas?" ou "em quantos brinquedos você foi?" e flashes de câmeras. A única coisa que eu conseguia pensar, era na minha cama.

Para; Bruna Fleming, que insiste em mudar ditados populares.

Nenhum comentário:

Postar um comentário