8 de março de 2009

Lucky Man

Corri pela rua, como se assim varresse todos os problemas. Corri o máximo que as minhas pernas aguentaram, ou até mais. Como se a minha vida dependesse disso, e sei que dependia. Suas últimas frases ecoavam em minha mente, deixando-me perturbado. Nunca até aquele momento percebi o tamanho da minha sorte. Não importa o que ela fazia para ganhar a vida, sei que juntos conseguiríamos superar isso. Sentia o vento forte beijar a minha pele suada. Logo a camiseta começou a colar em meu corpo, causando certo desconforto, mas nada importa agora. Ao longe via sua figura andar apressada. Gritei o mais alto que pude, gritei até a minha garganta arder. Minhas pernas fraquejaram, e logo meus joelhos sentiram a umidade do asfalto. Uma garoa fina caía por cima de nós. Fechei os olhos, como se assim apagasse todo o desespero.
- Não seja melodramático. – ouvi sua voz ríspida reclamar.
Ainda de olhos fechados, sorri.
- Eu fui um tolo.
- Você é um tolo.
Vi seus olhos claros me fitarem, agora ela sorria, como se nada houvesse acontecido. Sei que se fosse qualquer outra garota, não voltaria. Mas ela não só voltou, como abriu o mais belo sorriso que eu já vi, em sinal de perdão. Qualquer um teria me abandonado sem hesitar, mas ela ainda me ama. Eu não sou mesmo um homem de sorte?

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