8 de março de 2009

Uma manhã que se preze

Chantilly – França, 15 de Dezembro de 2008.

Era inverno, mesmo assim o sol insistia em aparecer lindamente no alto de nossas cabeças. Deve ser por causa do aquecimento global, deixa o tempo doido. E então, aproveitei aquela linda manhã ensolarada para passear de bicicleta pela cidade, e me deparei com a mais bela das garotas. Era tão linda que, mais parecia ser obra dos anjos. Nunca consegui definir a cor de seus cabelos, mas naquele dia de sol, eles pareciam ser loiros. Um loiro queimado, bem discreto. Tinha a pele branquinha e macia, como as nuvens que enfeitavam o céu. E usava um vestido tomara-que-caia vermelho e branco, e com algumas flores. Trazia nas mãos um saco de papel pardo, com frutas dos mais variados tipos. Achei aquela cena a mais bonita de todas, e fiquei contemplando-a sem pudor algum. Ela tinha um sorriso lindo, e às vezes acenava alegremente para pessoas que estavam varrendo a calçada de suas casas. Fiquei tão extasiado com a cena que até me esqueci que estava andando de bicicleta bem na sua frente e que poderia atropelá-la a qualquer momento. Não deu outra. Quando percebi já estava em cima da garota que largou o saco de frutas e caiu das escadas da praça junto comigo e a bendita bicicleta. Logo me encontrei deitado ao chão com várias frutas ao meu redor. E a garota dos cabelos dourados bem em cima de mim.
- Menina, está bem? – perguntei enquanto tentava me levantar.
Ela não me respondeu. Simplesmente levantou como se nada tivesse acontecido e ajeitou seu vestido. Agora, olhando de perto ela parecia ser mais bela, seus olhos eram castanhos escuros e seu rosto salpicado de sardas. Esperava que ela me enchesse de chingamentos ou me batesse. Mas ao invés disso sorriu meigamente. Fiquei sem graça, então comecei a juntar as frutas novamente, mas algumas delas já estavam tão longe e outras pisoteadas pelas pessoas que passavam por ali e observavam a cena. Consegui juntar um punhado de morangos e uvas em minhas mãos. Ela me encarava sorridente.
- Desculpe! – pedi um pouco constrangido.
Ela pegou um morango do punhado que eu havia montado, o mais bonito e vermelho deles e o limpou na barra de seu vestido.
- Não tem nada! – disse ela.
E saiu cantarolando bem debaixo do meu nariz me deixando ainda mais confuso. Voltei a olhar o punhado de frutas e a encara-lá. Havia parado um instante para lavar a fruta no bebedouro, e então o colocou na boca e acenou alegremente antes de partir. E eu, só conseguia rir da situação enquanto as pessoas me encaravam abobadas.

Para; Karoline Munhoz, a imagem perfeita da compreensão.

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