29 de maio de 2009

Francesinha;

Depois de tantas semanas a fio negando a todo custo a minha condição atual, finalmente constatei que estou apaixonado. Mas não é um apaixonado qualquer, eu estou A-PAI-XO-NA-DO. Ela, no entanto, não sabe que esse sentimento vem tomando conta do meu coração há algum tempo, talvez ela tenha coisas melhores para pensar.

O sol entrava radiante pela janela daquele restaurante, modesto é verdade, pois sei que luxo e regalias não são coisas que a atraem. Tudo aqui combina com ela, e seus olhos castanhos. Desde as toalhas de mesa até a melodia alegre que ela ousava sentir.
Entre nós dois, uma garrafa de vinho ainda pela metade, e uma porção de batatas fritas.

Limitei-me em apenas observá-la com a atenção que até então não ofereci a mais nenhuma.
Cada centímetro do seu corpo. Havia algo nela que me atraía a atenção. Suas unhas vermelhas combinavam tão bem com o vestido branco, que fazia par com uma fita de seda vermelha presa em seus cabelos enrolados. Faziam cachos grandes e perfeitos, tão loirinhos. Dançavam todos em sintonia quando o vento insistia em passear entre eles. Suas sardas espalhadas pelo seu rosto de marfim, algumas habitavam seu nariz que provavelmente foi modelado por anjos. Suas mãos estavam sobre o queixo, e seus pés dançavam debaixo da mesa. Seria por causa da música que invadia nossos ouvidos, ou estaria ansiosa com alguma coisa?

Não acredito que qualquer ser mortal não se encante ao vê-la desfilar pelas ruas. Seu sorriso, sua alegria são coisas tão contagiantes, capazes de mudar vidas. Ela, não acredito que ela, seja apenas uma mera mortal. Deve ser um anjo dos céus perdido na terra, procurando seu caminho de volta.
Um anjo, tão meigo e puro. Mas garanto que os pensamentos que ela me proporciona não são tão inocentes assim.

Sorri ao vê-la brincar com as batatas, antes de colocar um delas na boca. Observei o local onde estávamos, e se não havia ninguém por aqui, que a desejasse tanto quanto eu. Descobri que não sou o único que tinha prazer em admirar sua beleza sem fim, porém, eu era o único que podia ouvir a sua voz doce como mel, ou tocá-la.

O caminho de volta foi pacífico. E eu me lembrei como o amor fazia bem às pessoas. Apesar do sol, estava um tanto frio, era inverno, mas o clima aqui é meio doido.

A envolvi em meus braços, e enquanto caminhávamos, ela dizia coisas como “foi legal ter saído com você.” Ou “devemos fazer isso mais vezes.”

Quando chegamos a sua casa, ela me convidou para entrar, mas fiquei um tanto encabulado.
- Quando vai dar o ar de sua graça novamente? – perguntei.
- Assim que o seu coração voltar a precisar de mim.
Sorri.
- Ele precisa de você a cada instante.

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