7 de maio de 2009

A Janela;

E o vento forte trás toda a poeira da rua para dentro de casa. Ela entra pela janela e pousa delicadamente sobre os móveis velhos e rústicos espalhados pela casa. Ao longe, posso escutar alguém reclamar continuamente do vento forte e de seus prejuízos. Não me importo com o vento forte, não me importo com a poeira, desde que ela não atrapalhe a minha visão do mundo.

O mundo. Essa janela não é capaz de mostrar-me o mundo inteiro, seus altos e baixos, suas alegrias e tristezas. Ela é capaz de mostrar-me somente uma parte dele, a parte que conheço bem, e observo toda tarde. Porém, nunca observo momentos repetidos. Cada pessoa que passa pela rua, por mais conhecida que seja não repete as mesmas coisas de sempre. Mesmo que seja rotina de sua parte. Até o seu sorriso muda. Ou está mais feliz, ou está mais triste. Tudo muda.

Talvez seja isso que eu gosto tanto de presenciar, a mudança. A mudança de tempo, de estação. Gosto de observar como as pessoas mudam de assunto tão rapidamente, ou como elas também gostam de observar. Gosto de observar as feições das pessoas ao redor, se perceber bem, dá para descobrir o que estão pensando.

Mas as mudanças mais malucas são da natureza. Assim que você se deita sobre a grama para tomar sol, pode sentir as primeiras gotas de chuva molhar a sua roupa.

Confesso que gosto disso, mudanças.

Apesar dessa janela não mostrar-me tudo que estou interessada em ver, eu consigo captar as mensagens do mundo. Eu consigo vê-lo chorar daqui, eu consigo vê-lo retribuir toda a desgraça para nós. Eu consigo sentir a maior, e a pior mudança que estamos prestes a passar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário