26 de julho de 2009

Angústia contraditória.

“Nunca iria dar certo, são pessoas muito distintas.”

Ela repetia a frase, pela décima vez naquele dia que só estava começando. Mas aquilo que ecoava em sua mente, dia após dia não era de fato todo errado; ele era estranho. Mas não um estranho de, vamos dizer: anormal, ao contrário, olhando bem ele conseguia se misturar e desaparecer entre as pessoas na festa, se não fosse pelo fato de suas mãos sempre estarem levantadas quando andava. Para abrir espaço? Ou mostrar a ela que ele estava cada vez mais perto, congelando seus nervos? O que o leva a ter essa mania ela nunca vai descobrir, ora para que? Se tudo que ela quer é apenas mais um beijo para matar a saudade que até então a consumia. Era triste alegar isso, segundo ela.

- Besta – critica a si mesma.

O fato de não vê-lo mais não era o que a entristecia, e sim a forma que ele se preocupava – ou melhor, não se preocupava. Ele não estava nem aí para o que poderia vir a acontecer. Mas era tudo tão contraditório!

Ela, já não tem tanta certeza do que sente, mas tem certeza que não se trata de amor. Mas seria uma grande mentira se ela dissesse que não sente falta do seu beijo, seria sim. Mas seria só isso? Uma atração passageira, que até agora não passou?

24 de julho de 2009

Nunca Diga Nunca;

Eu prometi que nunca mais falaria de amor. Que jamais escreveria uma só palavra sobre tal sentimento que me consome. Porém estou aqui, perdendo o meu tempo com algo que nunca vou entender.

19 de julho de 2009

Sem Título;

Antes de mais nada, esteja convicto de uma coisa: no fundo a gente sabe, quase ninguém é merecedor de suas lágrimas.

E se sequer é merecedor de suas lágrimas, quem dirá de seu amor?

5 de julho de 2009

O Diálogo de Adão e Eva;

Um;

- Quantas garotas você já beijou? – ela perguntou, inocentemente.
- Não sei... Muitas.
- E quantas delas fizeram as suas pernas fraquejarem?
Ele franziu o cenho.
- Como assim?
- Quantas delas você realmente sentiu algo?
O silêncio reinou, fazendo-o viajar em seu passado e buscar as lembranças que ela desejava conhecer.
- Por que está interessada nisso?
- Porque faz parte.
Aquele assunto o deixava desnorteado, fazendo-a parecer uma louca diante dele.
- Faz parte de quê?
- O que você sente, quando leva alguém para um beco, só para transar?
E o silêncio voltou a reinar. Aquela pequena ironia havia acertado sua cabeça como um murro. 
- Aonde quer chegar com isso? – perguntou ele, rispidamente
- Quero dizer, que, acho que você está perdendo parte de sua vida – disse ela em tom de pena. – Você não sabe quem você é, o que está fazendo...
- Eu sei quem sou.
- Eu sei o que você é.
- O que?
- Um corpo morto.
E a raiva surgiu.
- Você não ama, não sente, não acredita. Está perdendo parte de sua vida com algo que só vai afundá-lo cada vez mais.
- Um corpo morto?
- Uma alma perdida. – disse ela, cheia de pena. – Quantas vezes se sentiu feliz por estar com alguém? Quantas vezes sentiu saudade? Ou até mesmo tesão, realmente?
Todo aquele diálogo estava deixando-o deprimido demais para responder.
- Não tenho tempo para essas baboseiras.
Ela sorriu, um sorriso meigo, cheio de graça, que o fez sorrir também.
Seus lábios se encontraram delicadamente, porém, ela não conseguia encontrar o que estava faltando.
E ela logo distanciou-se, tímida.
- O que foi? – ele perguntou.
A tristeza a invadiu, deixando-a incrivelmente angustiada.
- Você.
Ele era vazio, sem vida. Um corpo morto, como dissera.
No entanto, ele não estava interessado nisso, interessava-se somente em seu corpo esguio e cheio de curvas. Era só isso que ele era capaz de ver.
Ela se sentiu sozinha. Isso era grave. Ele era incapaz de preencher seu coração, como ela desejava.
Ambos puderam ouvir uma voz ao fundo, chamando-a. E sem mais explicações, partiu, deixando-o.
Ele permaneceu lá, sozinho outra vez. Talvez, sequer tenha pensado no assunto, ou quem sabe sim. Porém, quando o mesmo sentir o baque da realidade o derrubar, revirando totalmente seu mundo, ele iria lembrar-se de que tudo que ele precisava era simplesmente de alguém que se importasse. Era isso que ela queria tanto oferecer.

4 de julho de 2009

I Want You Back;

O primeiro contato que tive com ele foi um tanto espontâneo, apesar de nunca vê-lo pessoalmente. Não me lembro ao certo quantos anos tinha, mas era muito nova. No entanto, nosso primeiro contato foi forte o suficiente para ser inesquecível.

Esperando mais um filme do que ainda é em minha opinião, um dos melhores filmes de terror já feitos – embora todos os erros e gafes. – deparei-me com um clipe que passava pela tevê, altas horas da noite. Tudo que há terror em sua natureza me atrai, e este fato ainda prevalece nos dias de hoje – A princípio, pude ver um casal passeando, e em alguns minutos depois, o namorado vira um lobisomem e saí em busca da amada, a fim de matá-la. Minha mente, embora inocente e cheia de besteiras como Barney e Seus Amigos ou Teletubbies vibrou de alegria ao ver todos aqueles zumbis dançarem em conjunto. Nunca pude esquecer essa cena, que ficou em minha mente durante toda a minha infância.

Minha mãe, na época era dona de uma coletânea de músicas cujo artista era o mesmo que dançava e encantava no clipe que vi. Então, remexendo em seus discos, encontrei Rock With You. Esta foi a música que mais marcou, pela melodia suave ao fundo. Então, Michael Jackson não saiu mais de minha cabeça. Infelizmente, com o tempo nos afastamos das raízes, e com novas músicas nas paradas e a minha cabeça adolescente a mil, acabei por não escutar suas palavras de amor e compreensão, pelo menos não com tanta freqüência. Mas às vezes, me pegava sorrindo ao ouvir Rockin Robin dos Jackson 5.

Jackson marcou uma geração, mesmo sem saber. Ele foi o ídolo idolatrado de muitas pessoas. Um grande exemplo é a Dona Elizabete, minha mãe, que sequer pode escutar uma música sem que a nostalgia a ataque.

A notícia de sua morte caiu como uma bomba para mim, que fiquei um tanto abismada ao saber que ele fazia uma falta terrível. Um vazio tomou conta do meu peito, e eu senti que estava perdendo um ente querido. Quis chorar, mas o susto do momento não deixou as lágrimas caírem. Fui perdendo os sentidos, e Thriller, a música que me chocou no começo de minha vida, veio em minha mente. Passei dias a fio tentando digerir a notícia, mas ainda não acreditava que ele havia partido. Esperava a qualquer momento, a notícia de que era tudo brincadeira, e ele reapareceria com seu sorriso tímido, dando tchau aos fãs.

Mas ele não apareceu.

Hoje, dez dias depois de sua morte, eu consegui chorar, e relembrar todos os momentos bons que passei o ouvindo. Não consigo aceitar sua morte repentina.

Para mim, Michael vai deixar mais que saudades, ele vai deixar suas lembranças, que guardarei para sempre dentro de mim.

Agora, como uma criança, estou aqui escutando I Want You Back, e isso era o que eu mais queria que acontecesse.