5 de julho de 2009

O Diálogo de Adão e Eva;

Um;

- Quantas garotas você já beijou? – ela perguntou, inocentemente.
- Não sei... Muitas.
- E quantas delas fizeram as suas pernas fraquejarem?
Ele franziu o cenho.
- Como assim?
- Quantas delas você realmente sentiu algo?
O silêncio reinou, fazendo-o viajar em seu passado e buscar as lembranças que ela desejava conhecer.
- Por que está interessada nisso?
- Porque faz parte.
Aquele assunto o deixava desnorteado, fazendo-a parecer uma louca diante dele.
- Faz parte de quê?
- O que você sente, quando leva alguém para um beco, só para transar?
E o silêncio voltou a reinar. Aquela pequena ironia havia acertado sua cabeça como um murro. 
- Aonde quer chegar com isso? – perguntou ele, rispidamente
- Quero dizer, que, acho que você está perdendo parte de sua vida – disse ela em tom de pena. – Você não sabe quem você é, o que está fazendo...
- Eu sei quem sou.
- Eu sei o que você é.
- O que?
- Um corpo morto.
E a raiva surgiu.
- Você não ama, não sente, não acredita. Está perdendo parte de sua vida com algo que só vai afundá-lo cada vez mais.
- Um corpo morto?
- Uma alma perdida. – disse ela, cheia de pena. – Quantas vezes se sentiu feliz por estar com alguém? Quantas vezes sentiu saudade? Ou até mesmo tesão, realmente?
Todo aquele diálogo estava deixando-o deprimido demais para responder.
- Não tenho tempo para essas baboseiras.
Ela sorriu, um sorriso meigo, cheio de graça, que o fez sorrir também.
Seus lábios se encontraram delicadamente, porém, ela não conseguia encontrar o que estava faltando.
E ela logo distanciou-se, tímida.
- O que foi? – ele perguntou.
A tristeza a invadiu, deixando-a incrivelmente angustiada.
- Você.
Ele era vazio, sem vida. Um corpo morto, como dissera.
No entanto, ele não estava interessado nisso, interessava-se somente em seu corpo esguio e cheio de curvas. Era só isso que ele era capaz de ver.
Ela se sentiu sozinha. Isso era grave. Ele era incapaz de preencher seu coração, como ela desejava.
Ambos puderam ouvir uma voz ao fundo, chamando-a. E sem mais explicações, partiu, deixando-o.
Ele permaneceu lá, sozinho outra vez. Talvez, sequer tenha pensado no assunto, ou quem sabe sim. Porém, quando o mesmo sentir o baque da realidade o derrubar, revirando totalmente seu mundo, ele iria lembrar-se de que tudo que ele precisava era simplesmente de alguém que se importasse. Era isso que ela queria tanto oferecer.

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