27 de setembro de 2009

À Esmo;

E lá estava ela, com os joelhos cansados de tanto tremer. As lágrimas rolavam de forma lastimável pelo seu rosto, e ela mais uma vez não sabia bem o que fazer. Qualquer um diria que é coisa da idade, mas ela sabia que não era. Seu problema estava bem a sua frente, exibindo sorrisos e a mais pura felicidade ao lado de uma pessoa que ocupava o seu lugar. Levantou-se, e os rostos conhecidos à sua volta não eram capazes de amenizar a sua dor. Queria parar de pensar, completamente. Talvez assim o sofrimento diminuísse.

Procurou em mãos conhecidas a lata de cerveja que ganhara de um desconhecido, não a encontraria mais. O que iria distrair sua mente então? Levantou-se bruscamente, em busca de algo que realmente funcionasse, em busca de algo que resolvesse seu problema imediatamente. Talvez esse seja o seu problema, querer a resposta de suas perguntas, a solução de seus problemas rapidamente. Saiu em disparada, procurando algum rosto conhecido que pudesse ajudá-la. Não esperava que uma das pessoas que mais detestava fosse oferecer ajuda, algo que ela desejava desde sempre. Pegou o cigarro já tragado de sua mão e tragou, como se fosse a última coisa que faria. Correu em direção contrária das pessoas que passavam por ali, estava agitada e sequer sabia para onde ir. Por fim, sentou ao chão. Derrotada. Com o cigarro em sua mão e as esperanças açoitando seu pensamento. Torceu o nariz para um casal que se beijava à sua frente, e pensou no quanto seria bom se estivesse na rua agora, andando à esmo. Pelo menos não precisaria passar por tudo isso. Recostou a cabeça sobre a parede e tragou pela última vez, viu a fumaça dançar pelo ar e pediu que dessa vez ela levasse seus problemas com ela. Mas seu problema, a nicotina não podia solucionar, o tempo era o seu remédio, por mais que ela tentasse negar.

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