29 de janeiro de 2010

Simples assim;

A sociedade em que vivemos é totalmente inclinada à perfeição. Perfeição estética, perfeição profissional... Buscamos nos aperfeiçoar em absolutamente tudo, às vezes deixando essa busca interminável virar uma triste obsessão. Estamos tão voltados para nossa própria obsessão que acabamos passando por cima de tudo, inclusive dos sentimentos alheios. Isso machuca. A sociedade em que vivemos discrimina qualquer coisa que fuja dos padrões que julgamos “perfeitos”. Nossa sociedade cultua a magreza, pele clara, cabelo escorrido e sorrisos perfeitos, como as líderes de torcida dos filmes americanos. Mas que graça tem uma loira de seios grandes que pula loucamente cantando músicas combinadas para seu time de coração, que passa o dia checando a maquiagem e fofocando no celular, que estoura o cartão de crédito do pai comprando porcarias inimagináveis? Que história de vida essa garota tem?

Geralmente, personagens principais de livros – ou filmes – para adolescentes são garotas tímidas, que não sabem dançar, e que estão pouco ligando para o seu cabelo mal penteado. Aquelas que julgamos sem-graça, ou rebeldes. É ou não é verdade? Me diz, o que Isabella Swan tinha de tão importante para um vampiro como o Edward se interessar tanto por ela? E as garotas sérias e comportadas dos filmes de terror, porque só elas sobrevivem no fim? Quem pensaria que uma garota perfeitamente normal como Miley Stewart daria vida à Hannah Montana? Quem diria que uma garota com a vida tão sem graça como a da Juno passaria por ma reviravolta tão gigantesca? Nenhuma dessas citadas aqui tem uma finalidade para a sociedade, sequer são lembradas. São o tipo de garota que você vê nas suas fotos e se pergunta: quem era ela mesmo? Porque elas simplesmente não têm a mínima importância, mas são elas que na maioria das vezes alcançam com muito sucesso seus objetivos, são elas que acabam cantando e dançando em clipes, atuando em séries de sucesso. Sabe por quê? Porque elas estavam sonhando, estavam batalhando, e ninguém estava vendo.

28 de janeiro de 2010

O Diálogo de Adão e Eva;

Três;

Subitamente, seu corpo foi envolvido por uma densa camada de calor que a impedia até mesmo de respirar normalmente, as mãos deslizavam pelos corpos suados enquanto eles encontravam uma forma de ainda permanecerem conscientes.
Ela precisava estar lúcida.
Ela, ela não era capaz de fazer tamanha loucura dessa vez. Amaldiçoou o tempo por ser tão imprevisível e cruel com ela mesma, e discutiu com as circunstâncias para tentar encontrar um jeitinho de deixar ele se perder dentro dela, mas o medo a consumira.
Ela tinha medo de perdê-lo, ela não suportaria tal coisa.
E se ao menos ele desse a ela uma garantia de que não iria ir embora nunca, não por vontade própria, que ele sempre ficaria ali. Mas a maior prova ela não conseguia enxergar, ele estava ali.
- Não vai embora não, preciso tanto de você.
Foram as últimas palavras que ela disse.

12 de janeiro de 2010

Contos de Fadas;

Sempre tive príncipes ao meu dispor, mas no fim das contas acabei por preferir o sapo, pois achei que este seria incapaz de brincar com os meus sentimentos. Ele era orgulhoso e pretensioso, muito engenhoso se quer saber. Mas foram estes os dotes que me encantaram e me fizeram apaixonada.

Estava errada sobre a hipótese de sapos não brincarem com os sentimentos das princesas, na verdade este brincou tanto que eu já não sabia mais como parar de chorar. Mas mesmo depois de uma guerra fria ou um encontrão, nossos olhares novamente se encontravam e percebemos que só machucamos para não nos machucarmos. Por isso somos tão parecidos.

11 de janeiro de 2010