24 de março de 2010

Thanks For The Memories;

Não tenho muita experiência de vida, portanto não posso me julgar uma pessoa madura. Ainda estou aprendendo com os meus erros, e de vez enquando esbarro em alguma situação que não consigo lidar. Ás vezes fracasso, outras vezes não. Pior seria se não tentasse, se não tirasse de cada mero tropeção, uma lição.

Alguns meses atrás o destino me tirou alguém que era tão importante em minha vida, que jamais pensei na possibilidade de perdê-la. Como qualquer mero ser humano, não consigo identificar os presentes que Deus coloca em meu caminho, e quase sempre não dou o devido valor a eles, depois que dei por mim, já era tarde demais para lamurias. Essa pessoa não voltaria jamais, não que ela não quisesse, mas porque não poderia.

Naquele verão tudo corria muito bem para mim, a única coisa que tinha que fazer era me livrar de um namoro indesejável, queria aproveitar os raios de sol e a pouca roupa para conquistar várias meninas na praia. Mas tinha medo. Tinha medo de ficar sozinho, então tinha uma namorada, e conquistava as meninas na praia. Naquela época, eu não amava ninguém, eu só queria conquistar as meninas na praia, como qualquer moleque de dezessete anos. Isso não é pecado, desde que não faça outra pessoa sofrer, mas sem perceber estava machucando quem mais me amava.

Ao meu ver as coisas não eram bem assim, nunca viajei com namorada alguma, e pensava que o que ficava na areia se perdia com o tempo. Achava que tudo isso era tão inocente... Pelo menos para meu coração leviano.

Um dia a bomba estourou, numa festa em que nos encontrávamos juntos, mas até então não sabia, ela estava lá junto a uma amiga que apontava o indicador em minha face de longe, julgando-me. Pego em flagrante, fui julgado e a sentença veio logo após: Aquela que tanto me ajudou, cansou-se de sofrer com incontáveis mentiras, e partiu sem dizer adeus.

Não demorou muito para tudo perder a cor, e o sol desaparecer do meu céu. Ela o levou consigo toda a beleza do meu mundo. A comida perdeu o gosto, a noite era fria e a saudade deixava meu coração ainda mais gelado enquanto as lágrimas escaldavam meu rosto. As inúmeras garotas já não me completavam mais, e acabei por ficar mais seletivo. Obsessivo, pois havia deixado partir a pessoa que mais me fazia feliz, e sequer sabia. Então a coragem me agarrou, cuspiu em minha face e a estapeou, segurei suas mãos, e pedi perdão por todo aquele sofrimento desnecessário, meu coração clamava por sua volta. Mas ela disse que preferia passar os dias que restavam sozinha.

A ficha demorou a cair. Ela sabia, sabia de tudo e sequer me contou. Pra que? Nunca me importei antes, porque mudaria agora. Sabia que ela pouco acreditava em meu amor, e estava com toda a razão, mas o que eu podia fazer agora, que meu coração precisa tanto de sua presença? As consultas médicas toda semana, e seu receio de ficar sozinha... Todas as vezes que podia ter ido com ela, acompanhar sua saúde, a obriguei a ir sozinha para toda aquela tortura porque preferi estar com outras garotas mais bonitas e mais saudáveis, que pudessem me acompanhar aonde quer que fosse.

Alguns dias depois da nossa conversa ela se foi, e levou com ela toda a minha esperança de um dia voltar a ser feliz. Um tumor no cérebro, foi o que a tirou de mim. Naquela noite seus pais decidiram que havia uma chance de salvá-la com uma operação às pressas, mas a doença já havia a consumido por inteiro, não havia mais salvação e ela sabia disso. Despediu-se de mim, e se eu soubesse que nunca mais a veria teria me despedido melhor, teria feito tudo, absolutamente tudo diferente.

Hoje sei porque ela negou passar seus últimos dias ao meu lado, para poupar sofrimento maior. Talvez, no fundo, ela realmente acreditara na minha mudança, e em algum lugar ela deve estar torcendo por mim, mesmo que não mereça (...)

23 de março de 2010

Teardrops;



Hoje, as imagens falam mais que as palavras. E se quer saber, minha vida tem se resumido nisso.

19 de março de 2010

Barriga cheia, mão lavada, pé na estrada!

Descobri que a vida não é apenas amores não correspondidos, e promessas quebradas. Acho que estava caminhando no sentido contrário, comecei a me perder quando conheci você, sabe?

Você é um perdido, e foi isso que me atraiu, o fato de poder te encontrar. Mas como poderia, se sequer você sabe quem tu és?

Esta manhã notei que faltava algo muito importante na minha vida, algo que eu venho sentindo falta há tempos, mas sinto que logo vou me sentir melhor, que a minha dor vai cessar mais tarde, e você vai ver meu sorriso de boas vindas.

Nada mais é como antes, me libertei de você, mas ainda sinto falta de seu sorriso. Marcou a minha vida.

Esta manhã eu descobri o caminho certo. Hoje eu estou mais feliz, mas triste, por não poder partilhar isso contigo.

Descobri que não tenho problemas, eles estão todos com você, e isso me deixa chateada. Porque não deixa de besteira e me deixa te ajudar? Porque não caminha comigo, só pra variar?

Um copo com água, e alguns devaneios;

Acho que sou muito serelepe, ou há algo de muito errado com as pessoas ao meu redor. Acontece que vivo um grande dilema: tenho que estudar, trabalhar, sustentar minha própria vida e tentar ser feliz com todas as contas que vou precisar pagar. Pra você leitora, talvez seja totalmente normal, não para mim. Sei da importância de dar valor as minhas responsabilidades, mas não é dessa forma que quero viver. Eu vejo tantos casais em esquinas se beijando, e me pergunto “quanto tempo será que vai durar?” Sabe, eu quero um amor para a vida inteira, e sei que posso morrer procurando, mas nunca desisti de procurar. Acontece que não me vejo exercendo profissão alguma, me vejo sentada em um carango velho escutando rock clássico e partindo para onde o sol se põe. Acho que nasci para isso, para ser livre, e acho que não estou pedindo nada de mais, afinal, cada um tem o seu livre arbítrio, se tu não és feliz com a sua vida, desculpe, eu estou muito feliz aqui, vendo o sol nascer e se por todo o dia, e pensando em como poderia realmente fazer a diferença no mundo, procurando uma maneira de falar de um jeito que todo mundo possa escutar. É, acho que esse é o meu principal anseio, fazer a diferença.

17 de março de 2010

Oi?

Quantas vezes você realmente fez o que queria?

Te faço essa pergunta só agora, porque hoje de manhã acordei com uma daquelas dúvidas que não nos abandonam enquanto não encontram a sua resposta. Então, vai me responder? Quantas vezes você fez o que queria, sem se preocupar com a opinião de ninguém? Quantas vezes você foi feliz e não se arrependeu por isso?

Antes de mais nada, saiba que tu não és o único que queres caçar a felicidade e colocá-la numa garrafa e guardar para sempre, então saiba que está errado. Não procure a felicidade, ela mesma virá até você, espere.

14 de março de 2010

Outra Porta;

Os primeiros acordes que nasciam daquele velho violão formavam uma melodia suave, ele se curvou para escutar melhor. Então sorriu.

- Há quanto tempo está se ocupando com música? – perguntou ele.

- Desde sempre. – respondeu ela sem tirar seus olhos do instrumento.

Então seus olhos chegaram ao chão, e ele teve noção do que estava acontecendo. Ela não sorria mais com tanta doçura, tampouco olhava para ele com total atenção. Ela parecia pensar em outras coisas, não nele como de costume.

Era horrível, doía de ponta a ponta, logo agora que tanto precisava dela. Mas quando ela estava sofrendo, por acaso pensou em algum momento em socorrê-la?

Em um movimento súbito, suas mãos alcançaram seu rosto delicado, e seus olhos castanhos o fitaram com surpresa.

- Como faço para voltar a reinar em seu coração?

Ele sentiu sua respiração parar, seu coração bater com toda força e o pânico invadir seus olhos.

- Por favor, não me faça viver sem você.

As recordações penetraram a mente já transtornada da garota, que nunca deixaria de esquecer o quanto lutou para que esse momento chegasse, nem o quanto sofreu. Uma hora o coração não consegue mais sofrer, os olhos se cansam de chorar... Foi nisso que ela pensou, ao dar a seguinte resposta:

- Eu não posso mais.

Então o pânico o consumiu por inteiro.

- Você não pode fazer isso comigo.

Todas as emoções caíram por terra, e pela primeira vez ela agiu com a razão, ou invés de colocar seu amor acima de qualquer coisa. Ela lembrou de sua filosofia de vida: um corredor repleto de portas. Sua missão era escolher a que achasse a certa, e de tanto procurar acabou achando esta aqui, e nunca mais conseguiu fechá-la. Naquele momento, seus olhos derramaram suas últimas lágrimas de dor sobre as mãos do amado, ela sabia o que tinha que fazer.

Sem pensar em nada, abandonou todos os seus sonhos e desejos. Abriu outra porta em seu coração.

- Eu só preciso de uma chance para fazer você feliz...

As palavras eram doces e tentadoras, mas nada mais mudaria o que acontecera entre os dois, os desencontros, o desamor, a indiferença...

- Desculpe, não.

E essas foram suas últimas palavras. Apanhou o violão velho e o colocou sobre suas costas, e partiu sem olhar para trás.

Seus olhos cheios de lágrimas observaram ela fechar a porta pela última vez. Arrependeu-se de deixar a sua felicidade partir tão facilmente assim, escapar entre seus dedos como o ar. Sentou-se no sofá velho e sentiu o gosto salgado de suas lágrimas, lembrou-se de como ela reclamava desse gosto horrível em sua boca, e ele nada fez para mudar sua realidade. Não adiantaria em nada chorar pelo leite derramado, ela lançara o ultimato, abrira mão do seu sorriso, e isso era algo insuportável de se agüentar. Tão insuportável quanto amar e não ser correspondida.