14 de março de 2010

Outra Porta;

Os primeiros acordes que nasciam daquele velho violão formavam uma melodia suave, ele se curvou para escutar melhor. Então sorriu.

- Há quanto tempo está se ocupando com música? – perguntou ele.

- Desde sempre. – respondeu ela sem tirar seus olhos do instrumento.

Então seus olhos chegaram ao chão, e ele teve noção do que estava acontecendo. Ela não sorria mais com tanta doçura, tampouco olhava para ele com total atenção. Ela parecia pensar em outras coisas, não nele como de costume.

Era horrível, doía de ponta a ponta, logo agora que tanto precisava dela. Mas quando ela estava sofrendo, por acaso pensou em algum momento em socorrê-la?

Em um movimento súbito, suas mãos alcançaram seu rosto delicado, e seus olhos castanhos o fitaram com surpresa.

- Como faço para voltar a reinar em seu coração?

Ele sentiu sua respiração parar, seu coração bater com toda força e o pânico invadir seus olhos.

- Por favor, não me faça viver sem você.

As recordações penetraram a mente já transtornada da garota, que nunca deixaria de esquecer o quanto lutou para que esse momento chegasse, nem o quanto sofreu. Uma hora o coração não consegue mais sofrer, os olhos se cansam de chorar... Foi nisso que ela pensou, ao dar a seguinte resposta:

- Eu não posso mais.

Então o pânico o consumiu por inteiro.

- Você não pode fazer isso comigo.

Todas as emoções caíram por terra, e pela primeira vez ela agiu com a razão, ou invés de colocar seu amor acima de qualquer coisa. Ela lembrou de sua filosofia de vida: um corredor repleto de portas. Sua missão era escolher a que achasse a certa, e de tanto procurar acabou achando esta aqui, e nunca mais conseguiu fechá-la. Naquele momento, seus olhos derramaram suas últimas lágrimas de dor sobre as mãos do amado, ela sabia o que tinha que fazer.

Sem pensar em nada, abandonou todos os seus sonhos e desejos. Abriu outra porta em seu coração.

- Eu só preciso de uma chance para fazer você feliz...

As palavras eram doces e tentadoras, mas nada mais mudaria o que acontecera entre os dois, os desencontros, o desamor, a indiferença...

- Desculpe, não.

E essas foram suas últimas palavras. Apanhou o violão velho e o colocou sobre suas costas, e partiu sem olhar para trás.

Seus olhos cheios de lágrimas observaram ela fechar a porta pela última vez. Arrependeu-se de deixar a sua felicidade partir tão facilmente assim, escapar entre seus dedos como o ar. Sentou-se no sofá velho e sentiu o gosto salgado de suas lágrimas, lembrou-se de como ela reclamava desse gosto horrível em sua boca, e ele nada fez para mudar sua realidade. Não adiantaria em nada chorar pelo leite derramado, ela lançara o ultimato, abrira mão do seu sorriso, e isso era algo insuportável de se agüentar. Tão insuportável quanto amar e não ser correspondida.

4 comentários:

  1. Mooça, blog lindo, texto lindo.
    Vou seguir você.

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  2. Interessante o texto, bem escrito, salvo algum clichê, ele ficou bom =]

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  3. Olá flor!
    Em primeiro lugar, ADOREI o teu blog.
    Como você trata de assuntos do universo feminino, convido-a para seguir e opinar no meu blog.

    www.papodemuie.blogspot.com

    O "Papo de Muié" é, relativamente, um blog novo e, graças à força das minhas leitoras, em crescente expansão!
    Trata de assuntos, também, do universo feminino, e ficarei feliz em tê-la como leitora.
    O intuito do blog, é fazer com que todas nós tenhamos VOZ! Por isso, estou aberta à críticas, elogios e sugestões.

    Tem algum assunto que gostaria que eu retratasse?

    MSN: papodemuie_contato@hotmail.com
    Orkut : http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=99580324

    Estou seguindo-a, espero que goste do "PAPO" e siga-o também.
    Obrigada,
    Maah Magalhães ;*

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  4. oun, amei teu blog, textos interessantes e lindos :) dá uma passadinha no meu tb, fiz ontem, mais pode ter algum assunto qe te interesse :)2bj :*

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