1 de outubro de 2010

Ascensão;

(...) A lua não deu sua luz.

Vi pessoas rodando em volta de si mesmas, depois reparei que já não eram elas mesmas. Vi corpos sobre o chão e pequenos lampejos de luz acontecerem no céu. Sabia o que tinha que fazer.

Rastejei-me sobre o chão manchado de sangue e sentia a Terra estremecer debaixo de meus dedos, as pessoas que sobre ela festejavam se puseram a cair, ainda descontroladas. De repente, o ar não entrava pelos meus pulmões e o fogo começou a tomar conta de tudo que era sólido. O pânico me encontrou, e as lágrimas começaram a cair. Toda a fumaça como por magia se concentrava sobre o chão, causando um efeito diferente, como um espetáculo. Com os olhos semicerrados vi, não com tanta clareza, mas uma imagem rica em detalhes. Era a moça dos olhos acinzentados da loja, com um vestido longo e rodado, costurado com linhas banhadas em sangue e com a pele muito branca. Não parecia humana. Parecia velha, embora sua fronte fosse bastante jovial, seu jeito formal lembrava uma dama que pôde ver com seus próprios olhos as horríveis tragédias da Guerra Fria. Ela parecia mesmo uma criatura tirada de algum livro. Logo nossos olhares se encontraram, e, embora o calor do fogo afagasse minha carne com violência, senti uma frieza arrebatadora, toda a frieza que compunha seus olhos. Eu senti a morte beijar minha face. Ela estava na moça, ela estava em toda parte.

4 comentários:

  1. Ola Anna, que belo conto vc escreveu. Senti cada linha, imaginando a história.
    Vc escreve muito bem. Li seus textos anteriores. Confesso que encontrei alguma identificação por aqui.
    Tudo que é um pouco misterioso me chama atenção.
    abraços.

    http://precisomeexpressar.blogspot.com/

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  2. Não entendi muito a essência da história, mas gostei da intensidade com a qual você escreve :D

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  3. Oi, Anna...
    Muuito bom o seu blog, suas idéias e seu bom gosto.
    Estou te seguindo.
    Beijos no coração,
    EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

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  4. Carambolas! Gostei muito do texto, você escreve bem pra caramba! Já escreveu algum livro de contos? Pois você se daria bem. Seu estilo é intrigante e faz querer ler até o fim, mesmo com o começo meio confuso, mas que esclarece tudo no final.

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