21 de março de 2011

Ask me Why ;

Difícil dizer o que aquele momento representava pra mim, porque eu estava nervosa, porque acabara de escutar coisas que não queria.

Fechei a cara, cruzei os braços e fiz aquele bico.

Ele me olhou pelo canto dos olhos algumas vezes, e continuou o que estava fazendo, não movi um músculo, continuei a interpretar um soldado inglês mesmo sabendo que era só charme, pois a raiva anterior, passara. Ele voltou a me olhar e eu retribui, também pelo canto do olho. Era nessa parte que ele sorria, e me chamava de chata, mas ele não fez.

- Por que está comigo?

Essa pergunta bateu em minha cabeça me fazendo ficar meio desnorteada, logo esqueci de fazer manha e o encarei como se ele fosse o cara mais estranho do mundo.

- O quê?! – perguntei, mas não sabia ao certo se queria uma resposta.

- Por que você está comigo? – ele repetiu.

Eu pensei, apesar de ter a resposta na ponta da língua.

Ele insistiu.

- Por quê você está comigo? – rebati.

- Fui levando.

- Como?

- É, fui levando, pra ver até onde ia dar – ele disse, em tom sereno. – Te acho firmeza, então não vi problema.

O encarei por alguns segundos, pensando se isso era bom ou ruim.

- E você? – ele voltou a insistir.

Voltei a fazer bico.

- Não vai me responder?

Um, dois, três, quatro...

- Não?

- Não.

Essa não era a resposta que ele esperava, e para mim, soou meio infatil, me perguntei porque aquele 'não' havia saído da minha boca tão mais facilmente.

O silêncio reinou e eu me senti mal, queria dizer que estava ao lado dele, porque gostava do seu jeito, que ele estava me fazendo feliz e isso era bom.

Mas achei melhor meu orgulho falar mais alto, estava cedo para tantas perguntas críticas, que faria nossa bagunça ficar séria.

Deixa estar, se for pra ser, vigora.

13 de março de 2011

Bléh


Já sentiu isso? Sentiu muita falta da companhia de uma pessoa e quando finalmente estão juntos você se sente altamente pressionado, com os nervos à flor da pele e todas as palavras que são dirigidas à você por essa pessoa te deixam nervosa?

Provavelmente não.

De fato, não sei por que isso acontece, mas sei que essa é uma sensação desgastante, que vai te irritando profundamente por dentro e te deixando sem um pingo de paciência. Daí transparece que você se sente incômoda, e isso começa a incomodar a pessoa que te causa tudo isso também.

Engraçado não é?

Não, nem um pouco.

Não consigo fazer absolutamente nada sobre pressão, e isso é fato comprovado, seja uma prova, ou qualquer outro tipo de avaliação, eu não consigo agir normalmente, não consigo não ficar extremamente tensa e também não sei fazer isso parar. Enfim, me sinto assim ao lado dessa pessoa, e não sei muito bem por que para ser sincera, talvez seja por momentos que ficaram no passado que ainda habitam minha mente – eis aqui outro fato, eu nunca esqueço as coisas que me abalam, nunca, mesmo que eu tente. – e eu tenho medo que aconteçam novamente. Sei que atualmente, essa pessoa não faz por mal, e as vezes me cerca por medo de que algumas coisas se repitam, e me deixa mais incomodada ainda a especulação de que ela não confia em mim, fico irritada com isso, então ela acaba por repetir muitas coisas que me deixam ainda mais irritada.

Sempre choro quando estou tendo uma conversa séria com essa pessoa, e quase sempre me arrependo de ter sido sincera, pois aquela pegação no pé de sempre fica duplamente mais insuportável e eu não consigo dominar meu gênio, mas nunca consigo mentir.

Eu sofro.

Provavelmente esta pessoa está lendo isso agora, e se perguntado se é com ela. Só peço para que não toque no assunto, jamais, pois odeio me sentir tensa e incomodada e isso com certeza irá me deixar, peço também para confiar mais em mim, pois não sou mais a mesma garota burra de um ano atrás. E por favor, se eu quebrar a cara, deixe estar, ninguém amadurece se não cair.

Mas mesmo assim obrigada pela preocupação.

10 de março de 2011

[...]

A melodia suave que vinha do piano deixava o clima mais leve. O espelho agora refletia a minha imagem, como sempre. Mas havia algo bem mais suave em minha aparência. Ela já não tinha tantas falhas, e não aparentava estar tão cansada. Meu cabelo nunca foi tão vermelho assim, claro, ele não era de um vermelho vulcânico, mas um vermelho bem escuro, um tanto desfocado.
Sorri para mim mesma quando vi o quanto ficava bela de vestido.
Enfim, quando cheguei até a escada, vi perfeitamente com que doçura ele tocava. Ele, que fazia meu coração disparar de uma forma bastante acolhedora, e deixava-me sem jeito. Não sei se a música era realmente tão bonita assim, ou se só gostava dela porque ele estava tocando. Desci só para apreciar a cena, que afinal não era muito comum de se ver. Assim que ele notou a minha presença, sorriu. O mesmo sorriso do avião, quando nos encontramos pela primeira vez.
Apesar de não saber quase nada sobre o rapaz que tem tomado conta de minha mente desde as primeiras cinco horas da noite, que foi o tempo que tive para conhecê-lo. Me doía a alma saber que talvez não voltaria a vê-lo. Ora, mas agora ele estava comigo não estava? Como eu queria. Não, é apenas um sonho, que por mais belo e adocicado, é angustiante e frustrante, por saber que assim que os primeiros raios solares comecem a surgir, ele já estará longe de mim, mas nunca de meus pensamentos.
- Esta é a sua forma de amar? – perguntei, quebrando o gelo.
- Não – disse ele sem me encarar.
Achei graça ao ver o seu sorriso tímido.
- Então, qual é o seu tipo de amor preferido? Qual é o tipo de amor que deseja ter?
Assim que a música cessou, tudo pareceu mais escuro. Ele pensou, e assim que teve certeza da resposta, continuou:
- Eu quero um amor, onde eu possa cravar os meus dentes nele.