10 de março de 2011

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A melodia suave que vinha do piano deixava o clima mais leve. O espelho agora refletia a minha imagem, como sempre. Mas havia algo bem mais suave em minha aparência. Ela já não tinha tantas falhas, e não aparentava estar tão cansada. Meu cabelo nunca foi tão vermelho assim, claro, ele não era de um vermelho vulcânico, mas um vermelho bem escuro, um tanto desfocado.
Sorri para mim mesma quando vi o quanto ficava bela de vestido.
Enfim, quando cheguei até a escada, vi perfeitamente com que doçura ele tocava. Ele, que fazia meu coração disparar de uma forma bastante acolhedora, e deixava-me sem jeito. Não sei se a música era realmente tão bonita assim, ou se só gostava dela porque ele estava tocando. Desci só para apreciar a cena, que afinal não era muito comum de se ver. Assim que ele notou a minha presença, sorriu. O mesmo sorriso do avião, quando nos encontramos pela primeira vez.
Apesar de não saber quase nada sobre o rapaz que tem tomado conta de minha mente desde as primeiras cinco horas da noite, que foi o tempo que tive para conhecê-lo. Me doía a alma saber que talvez não voltaria a vê-lo. Ora, mas agora ele estava comigo não estava? Como eu queria. Não, é apenas um sonho, que por mais belo e adocicado, é angustiante e frustrante, por saber que assim que os primeiros raios solares comecem a surgir, ele já estará longe de mim, mas nunca de meus pensamentos.
- Esta é a sua forma de amar? – perguntei, quebrando o gelo.
- Não – disse ele sem me encarar.
Achei graça ao ver o seu sorriso tímido.
- Então, qual é o seu tipo de amor preferido? Qual é o tipo de amor que deseja ter?
Assim que a música cessou, tudo pareceu mais escuro. Ele pensou, e assim que teve certeza da resposta, continuou:
- Eu quero um amor, onde eu possa cravar os meus dentes nele.

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