29 de setembro de 2013

Medo de que?!


Ela estava em meio há muitas pessoas, todas elas meio apressadas, tentando resolver suas próprias confusões. Havia uma voz bem alta ao fundo, tentando direcioná-las. Ela suspirou, encarou o único rosto conhecido que ali havia, e deixou-se sofrer um pouco, sabendo que logo mais não o veria.
Ele sorriu.
Ela derramou suas primeiras lágrimas, observou que estava rodeada de malas e atrapalhando a passagem, o barulho brusco de pousos e decolagens começou a mexer com seus sentimentos.
Ele segurou sua mão com delicadeza.
 - Fique feliz então, está realizando um sonho!
Ela retribuiu o sorriso, mas com certa tristeza no olhar.
Acredito que o mais difícil de deixar tudo para trás, é deixar tudo para trás. Começar uma vida nova em um lugar completamente desconhecido, com pessoas que talvez não sejam tão hospitaleiras como costumamos acreditar, não é fácil. Ainda mais para quem estava construindo uma história, e, de repente, ver que terá que destruir o castelo de areia já feito com tanto carinho, e começar um novo, entristece de certa forma. Já adquirimos carinho pelo anterior. Mas foi uma escolha, uma esperança de algo melhor, o melhor sempre faz o ambicioso desejar.
Seus olhares se encontraram.
 - Embora eu fique triste – disse ele. – É bem aqui que nossos caminhos se separam.
Ela apertou sua mão com força, e ele a puxou para um abraço apertado.
A dor da despedida é fria, como mármore, deixa na gente um lugar escuro e vazio, preenchido geralmente por tristezas e incertezas. Para eles, era uma dor a mais, apesar do namoro estar bom, ela colocou um fim, ligou e disse que estava indo embora, e que não mais voltaria, buscaria o sonho da tranqüilidade do outro lado do mundo, como sempre almejou.
Com ou sem ele.
Ela estava partindo, deixou amigos, família, namorado... Para ter a chance de começar de novo.
Os dois se soltaram finalmente, e a sensação de solidão completa a tomou, e lhe causou um frio na barriga.
Outro país, outra história... Somente ela, e suas roupas.
Eles se despediram, ela arrastou suas malas com dificuldade, mas parou no meio do caminho. Estava faltando algo.
Seus olhares tristes se encontraram, e ele foi apressado até ela, segurou seu rosto e um beijo aconteceu, fazendo todo o barulho e as pessoas sumirem por breves segundos. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Ela ficou surpresa ao saber que ele também chorava. Ele continuou com as mãos em seu rosto.
 - Sua vida é daquele portão para frente – disse ele. – Não olhe mais para trás! Vá em busca de suas conquistas.
Ela se afastou, fez o que ele pedira, foi embora e não olhou para trás.
Fechou um capítulo.
Somente ela sabe o que aconteceu no passado, as escolhas que fez e o que preferiu... Mas o agora é diferente, o desconhecido a aguarda, ele sorri para ela, e a acolhe como um velho amigo.

Um comentário:

  1. História muito maneira e de certo modo comovente, gostei!!!

    http://duo-postal.blogspot.com

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