22 de agosto de 2014

Kisses from Hell;


Anjos caídos.
Não dá para reconhecer, pois perderam sua inocência. Andam por aí (talvez aos pares) com a maquiagem meio borrada, e quando não estão rindo do que não tem graça, lamentam pelos cantos a própria existência.
Alguns sequer sabem que existem.
Vão se deixando levar pelo torpor e a realidade se torna algo completamente utópico, a dor acontece, mas é algo que deve ser sentido lá no fundo.
Não atinge a superfície do reconhecimento.
Deitam-se sobre as calçadas sujas e se deleitam com a mediocridade de suas almas.
Não há nada mais a ser feito.

A não ser chorar e pedir para que essa jornada infindável chegue ao fim, e que haja descanso quando o juízo chegar.

13 de agosto de 2014

Not That Kinda Girl;


Eu sempre soube de quem se tratava.
Porém, a insegurança da juventude consegue camuflar um pouco de nós, porque nessa idade sempre queremos nos encaixar em algum grupo.
Foi isso o que aconteceu.
Mas também ocorreu um momento de explosão, uma vontade insuportável de se assumir tomou conta de todo o pensamento obrigando a depositar toda aquela frustração em algum lugar.
Então escrevia.
No começo, em um caderno velho de escola, depois em mesas, paredes... As palavras estavam estampadas em altos muros espalhados por essa cidade de pedra e cimento.
Ninguém sabia de quem se tratava, nem mesmo ela.
Mas gostava do que via, a mudança que acontecia.
Não foi vista com bons olhos por pessoas que deixaram a sua vida, entre elas, muitas se julgavam essenciais, sem ao menos saber, que o essencial seria não ser mentiroso com si mesmo.

12 de agosto de 2014

Bons Ventos Sempre Chegam;

Um dia eu achei que amaria uma mesma pessoa para sempre.
E a vida me deu um tapa tão forte, que demorei meses para me recompor.

Logo após, eu comecei a pensar que para sempre era muito tempo.
Não percebi que alguns momentos como esses são menores que outros,
e deixei de aproveitar as bolhas de sabão que estouravam à minha frente.

Como se não bastasse, fechei meu coração para tudo que era novo.

Uma muralha cresceu em mim, e eu sofria.

Por não conseguir derrubá-la.

Muito tempo depois percebi que isso não era tarefa para uma pessoa só.
Mas tive medo.

Sentei-me sobre os degraus da vida, me perguntando o que havia feito de errado.
Foi quando encontrei você.

E as pedras que você jogava sobre as paredes do meu coração me assustaram demais.
Custei a entender teu ideal.

Custei a entender que tinha muito que agradecer por cada pedra lançada,
Por cada fagulha de esperança que esquentava.

Agradeço-lhe principalmente pelo que sou.
Sei reconhecer que o para sempre às vezes é bem menor do que a gente imagina.
Por isso aproveitamos os segundos, ao invés de prezar o sempre.


Um dia desses ele chega.

1 de agosto de 2014

A Mesmice Também Mata;

Tenho observado este fato com certa tristeza.
Vejo a chuva cair lá fora pela janela, observo inclusive todas as luzes que se acendem ao cair da lua; as pessoas passando apressadas, algumas sorridentes conversando com as outras. Observo o mundo ao meu redor dentro de uma bolha que quase me impede de ouvir.
Como dói.
Há tanto para saber lá fora, e eu continuo presa em uma gaiola, tentando saber das coisas da vida somente pelo observar.
Algo me incomoda, mas não consigo resolver. Há coisas para fazer, mas não consigo executá-las.
As pessoas me dizem que não há motivos para tristeza, então porque eu me sinto assim quase todo dia?
Como alguém que não sabe para que veio, que passa os seus dias observando quem sabe viver.
E chorando de inveja.