31 de dezembro de 2015

Retrospecto;

Esse foi o ano do verbo tentar.
Ten-tar.
Verbo pronominal e transitivo direto, que significa: 1. Empregar meios para obter algo desejado. 2. Buscar, procurar. 3. Por em pratica; empreender. 4. Arriscar-se ou aventurar-se.
Que fique bem claro, tentar não significa conseguir, o que nos leva ao próximo passo:


Persistência.


あけましておめでとう。

13 de novembro de 2015

13/11/2015

Música.
Poesia cantada, feita para a degustação do espírito.
Mexe com o íntimo.
Pode trazer boas vibrações,
Ou boas lembranças.
Depende muito.
Algumas músicas me arremetem ao tempo em que tudo estava relativamente tranquilo. Claro, havia muitos problemas, nós pessoas, somos cheias de problemas. Na nostalgia que aqui declaro havia uma série de perturbações familiares que faziam um dueto doloroso com a adolescência que se fazia difícil, embora tudo isso tenha acontecido, o que me lembro com clareza é daquelas luzes todas e a música que entrava pelos meus ouvidos e saía forte e aguda pela minha boca num grito, expulsando todos esses sentimentos e problemas pejorativos e se fazendo sozinha dentro de mim. Lembro de pessoas, garotos e garotas como eu, que tinham também problemas variados, mas se esqueceram, enquanto acompanhavam o refrão aclamado, seguido de uma série de empurrões que não ofendiam a ninguém.
Lembro-me disso e percebo o quão longe ficou em minha memória – embora eu ainda seja muito jovem – porém, guardo com felicidade, por representar perseverança acima de tudo.
Não importa o quão escuro possa ficar, em algum momento haverá novamente a luz.

(Da série: músicas que nunca perdem o sentido.)

4 de novembro de 2015

Hi;

Bom dia, flor do dia.

Neste dia de chuva ensolarada,

Faça-me o favor de ser você.

3 de novembro de 2015

"Cara, eu não sei explicar bem como é isso...

Mas eu me pergunto várias vezes se a minha existência é verdadeira."

21 de outubro de 2015

Divagações;

Quantas pessoas há em volta de você!
Deve ser bom ter sempre alguém para conversar.
Mas,
Quais destas pessoas sabe quem você é?
Seus medos.
Seus defeitos.

Também fazem parte de você.

14 de outubro de 2015

Quarta-feira;


E assim caminhavam as horas:
A passos largos,
Como alguém que deve para a lei,
Enquanto estávamos aqui,
Escondidos em plena tarde.
Enquanto todos trabalham,
Almejam algo para si,
Eu almejava,
Mais suspiros de amor.

24 de setembro de 2015

Ser escritor é bem mais que sentir,
É transcrever os sentimentos.

Pra que serve essa escuridão?

Untitled

Deixei transparecer,

Acabei por lhe recorrer,

Sem ao menos perceber,

Que fui deixada para morrer.

Enquanto agonizo em mártir,

Escrevo cartas para ti,

Sem saber que escolhas são assim,

A gente nunca sabe

Quem é que vai perder.

Parei de escrever,

Para não enlouquecer.



Sentimentos passados, velhos e secos como as folhas em mudança de estação.
Dez/2009.

4 de setembro de 2015

O dia que o amor se foi;


Ah, o amor!
É lindo quando nossa alma se enche de tamanha alegria, a ponto de transformar a rotina mais desagradável em algo prazeroso. Essa expectativa em encontrar a pessoa amada, e as borboletas no estômago quando a avista do outro lado da rua sorrindo para você, enquanto se aproxima. O cheiro gostoso de sua pele invadindo seu ser em um abraço apertado... E aquele amor que não cabe mais em um, e vocês se vêm esfregando-se em paredes e sofás que são a testemunhas mudas do que ocorre. Até mesmo a pior briga torna-se calorosa quando os lábios estão muito próximos.
Mas o que fazer quando a vela da paixão está somente meio acessa, correndo o risco de uma pequena brisa vir e apagar a pouca chama que restou? E quando os beijos são gelados e o toque das mãos sem vontade?
Como lidar com isso?

26 de agosto de 2015

Cair da Lua;

O som suave e delicado das primeiras notas tocadas naquele piano velho na sala de jantar, colocado ali apenas para animar convidados, já não transmitia a mesma tranqüilidade de alguns anos atrás, ou a fazia lembrar de vários momentos de sua infância, agora ele se transformara na representação cruel de que o mundo talvez não fizesse mais sentido, e que o melhor a fazer é dar fim à própria vida, do que viver esse pesadelo que havia a abraçado e não queria mais soltar. Sentiu suas lágrimas de desespero mais salgadas do que nunca, apertou o corrimão com certa força, cravando suas unhas em madeira maciça, sentindo-se completamente vulnerável.
Ninguém poderia ajudá-la.
Pensou naquela quantidade de garotas chorando, implorando para não morrerem daquela maneira, seu coração parou por um instante. Um toque de bondade abateu seu ser pela primeira vez, e ela pôde se arrepender. Mas agora era tarde, a vida havia enviado um demônio para mostrá-la que até o predador mais poderoso da cadeia alimentar deveria sentir medo. Ela havia criado um demônio, não sabia muito bem como, de que maneira isso aconteceu, mas sabia que agora seu próximo caminho seria a morte. 
Observou a linda garota tocar seu piano, ela sequer parecia notar sua presença, mas ela sabia que estava sendo observada, mesmo não estando com seus olhos presos à sua imagem sobre a escada. Não se pode esconder nada de um demônio. Sua pele clara parecia fria como mármore, em contraste perfeito com seu vestido negro, com detalhes vermelhos. Sua boca rosada, como de uma princesa, uma linda princesa à espera de seu beijo, para poder despertar de seu transe horrível e viver um lindo sonho de amor.
Mas ninguém acordou, ao contrário, o mundo estava cada vez mais próximo do fim e nenhum de nós parecia ser digno de salvação.

21 de agosto de 2015

Estatística;

Num começo de noite dessas de primavera, fim de ano, estava eu caminhando quando encontrei em um bar um amigo de escola que há muito não conversava. Jogamos vinte minutos de sinuca e tomamos uma breja quando aquele Astra preto estacionou em frente ao bar e de dentro dele saiu dois homens armados cujo a cara mal pude ver pois já estava ao chão ensanguentado.
Pensei em minha mãe, e logo ela estava a berrar ao lado de meu corpo sem que eu pudesse ouvir.
Dias após a grande Mais uma Chacina da Periferia, minha mãe escutava entre lágrimas a televisão dizer que muita gente que morreu não tinha passagem pela polícia, porém, o que estava fazendo na rua altas horas da noite?
Fiquei sem entender. Afinal, quem está errado, quem atirou em mim, ou quem estava tentando se divertir no bar?

Desde quando existe esse toque de recolher?

12 de agosto de 2015

O que ela lê: Capitães da Areia

Capitães da Areia é um livro de Jorge Amado, foi escrito em 1937, porém, este fato de nada representa, pois, ao ler a história e conhecer os personagens, o leitor facilmente percebe os traços do nosso Brasil atual e, choca-se ao perceber a mínima mudança. O livro conta a história de um grupo de crianças – muitas delas órfãs – que, sem opção acabaram caindo à margem da sociedade praticando vários tipos de furtos e vivendo num trapiche velho à beira mar. Liderados por Pedro Bala, o grupo invade casas, furta carteiras e bens de valor na rua e à luz do dia e vivem uma vida como se nunca houvessem sido de fato crianças. Nessa situação precária, o grupo pode contar com poucas pessoas para ajudar, mas os que se interessam pela causa, acabam se apaixonando pelos meninos de rua.
Como foi o caso de Padre José Pedro, que levava palavras de conforto para as crianças e, mais de uma vez, entrou em apuros para protegê-los.
Cada uma dessas crianças carregava na bagagem da vida histórias de humilhação e horror, onde o amor ao próximo se tornou algo completamente utópico até a chegada de Dora, a única garota no trapiche, que despertou em cada um, um sentimento diferente, o sentimento que cada um deles sentia falta.
O sentimento que depois de experimentado, mudou a vida de todos de maneira literal.
O livro gira em torno do Líder Pedro Bala que, em minha humilde opinião de leitora, demonstrou ser o retrato nato do Brasil com suas conquistas acerca dos seus direitos e a sede de liberdade e democracia que cercava sua aura. Vida Seca, o afilhado de Lampião, e assim como o mesmo, com o seu ar sombrio e ódio pelos homens da lei. Sem Pernas, o pobre garoto aleijado que foi surrado por soldados, cheio de ódio em seu coração, rouba as pessoas para alimentar esse trauma guardado. Professor apaixonado pela leitura, desenha muito bem e às vezes ganhava uns trocados quando reconheciam seu trabalho. Pirulito, que sentiu através das palavras do Padre José Pedro a vocação religiosa. Gato, o vigarista que ganhava a vida de pequenos furtos e enganando pessoas pelas ruas e finalmente, Dora, uma das figuras mais importante da história, e também única garota do grupo.
Por ser uma obra de Jorge Amado, trata-se de um clássico brasileiro – assim como vários escritos pelo mesmo – porém, este em especial sofreu vários tipos de represálias, e vários exemplares foram queimados e apreendidos devido ao decreto do Estado Novo.
*Alguns outros títulos do mesmo também foram apreendidos.


Arrebenta-me o coração saber que o autor baseou-se em crianças verdadeiras para escrever esse romance, e isso explica a riqueza de detalhes. Depois que terminei de ler, fiquei um bom tempo sentada e viajando o Brasil inteiro em busca destas crianças. Minha cabeça não parou de girar nem um segundo sequer, até eu vir aqui e redigir estas palavras.
Dói saber que este livro fora escrito na década de 30 e mesmo assim, nosso país ainda sabe marginalizar muito bem aqueles que mais precisam dele, como ele tem feito todos esses anos em que tornou-se país. Tive uma epifania tão profunda, que foi difícil segurar as lágrimas.
Foi extremamente difícil sair da minha zona de conforto e perceber que as coisas não são como eu pensava. E confesso que esse livro só chegou em minhas mãos, porque eu precisava estudá-lo para fazer uma prova, então uma chegada minha acabou me dizendo que eu ia me surpreender.
Eu não sabia que o faria tanto.

Capitães da Areia também virou filme, pelas mãos de Cecília Amado em Outubro de 2011 e, apesar de não conter a riqueza de detalhes da obra – como qualquer obra transformada em filme – conta com uma excelente trilha sonora.
Segue abaixo o trailer:


9 de agosto de 2015

09/08/2015

(...) Mas quando fui ao seu quarto que tudo de fato ocorreu. Ao observar seus tênis alinhados à sua maneira, suas camisas devidamente dobradas e suas coisas guardadas no lugar em que você deixou, cada objeto ali guardava um pouco de você, mesmo que, tecnicamente, você não exista mais.
Foi esse sentimento terrível e sem nome que me acometeu, aquele momento em que a gente percebe que algo definitivo ocorreu, e não há como remediar.

27 de julho de 2015

Relatos Do Que Não Ocorreu;


Para o garoto que conheci no Bambas.

Talvez, num dia de sol desses, daqui há alguns anos, você se lembre de mim.
Irá se sentar no seu sofá, na sua sala e, enquanto seu filho monta pecinhas lego, ou desenha em uma folha branca no chão, você vê no seu canal favorito de esportes uma notícia que, estranhamente te fará lembrar que eu detestaria saber que você estaria vendo aquilo. Você iria se lembrar de minhas palavras: "poxa vida, você não tem coisa melhor para fazer?"ou "Esse tipo de programa interfere na sua capacidade mental". Talvez sua mente te lembre o quanto eu era tinhosa, ou birrenta, que odiava estar errada ou que eu poderia ter sido menos desagradável, ou talvez ela te lembre desses mesmos dias de sol que passamos de mãos dadas dando voltas pelo centro da cidade, para que eu pudesse ver ou comer algo que estava morrendo de vontade e que provavelmente envolvia a cultura japonesa.
Talvez, quando você se lembrar de tudo isso, você esboce um sorriso, por lembrar de coisas boas, ou talvez agradeça por todo aquele mártir ter tido um fim afinal, já que reclamávamos tanto...Talvez, quando você se lembrar de mim, tenha vontade de saber como estou, se ainda estou, ou se há muito deixei de estar, ou se consegui por fim me emendar, se consegui me mudar...
Quando se lembrar de mim, espero que consiga se lembrar das vezes que até mesmo de forma negativa tentei te incentivar que, a vida sem um propósito não nos leva a nada, é um caminho triste e vago que nos trás somente uma saída. Espero que quando se lembrar de mim, você tenha alcançado todos os seus propósitos, e que sinta mesmo de tão longe, o gosto adocicado destas e de muitas outras palavras que você mesmo inspirou, e que talvez nunca venha a ler, por falta de tempo, ou até mesmo de vontade, por diversos motivos.
Espero principalmente que, quando você se lembre de mim, você esteja bem, que não carregue sequela nenhuma do que disse ou demonstrei, ou até mesmo provei para você. Saiba que você nunca teve culpa, a vida sempre fora um tanto azeda para mim desde muito nova, e as questões que carrego ou carreguei sempre foram responsabilidade minha.
Então, quando se lembrar de mim, lembre principalmente que te amei, e isso foi o melhor que pude fazer por mim mesma, foi carregar algo bom dentro de mim, por todo esse tempo.

21 de julho de 2015

21/07/2015

Estou a desabrochar.
Como uma frágil cerejeira que acaba de contemplar a primavera,
E sente o calor do sol.
Uma borboleta na emoção do primeiro voo,
No vislumbre de sua aparência...
Há coisas em mim que não podem mais ser escondidas,

O mundo precisa saber quem eu sou.

28 de junho de 2015

"Eu vivo do meu jeito, sabe... E do meu jeito, tá certo! Foi a única maneira que encontrei de desviar dos espinhos pelo caminho."

24 de junho de 2015

-

Foi como aquela típica chuva de verão.
Desabou de repente, levando tudo o que havia pelo caminho com suas rajadas de vento e trovoadas. Tive medo do que viria a seguir – mesmo achando agradáveis as chuvas de verão – mas mantive os olhos fixos em toda a confusão, tão distraída que mal percebi a limpeza sendo feita. Quando a agitação passou, só me restou algumas ideias que não faziam o menor sentido e a brisa fresca pós tempestade.

Eu não sabia, mas era tudo o que eu precisava para começar.

22 de junho de 2015

[...] Para começar, você pode partir deste princípio:
Não faça com outrem, o que você não quer para si.

16 de junho de 2015

xXxXx

"Eu não gosto da vida,
Ela tem gosto de catarro."

12 de maio de 2015

Sonho;

♡

Ela observava com os olhos curiosos e atentos,
Mas tudo o que via não parecia suficiente.
Seu coraçãozinho agora disparado voltara a ser criança,
Que cansada de esperar,
Corria para os braços da mãe,
Que a acolhia sorridente.

28 de abril de 2015

Comptine D' un Autre Ete;

Untitled

Deixei que meus dedos tocassem aquele piano velho, passei os mesmos pelo teclado lentamente, quase sentindo a última música que fora tocada.
Era doce e lenta, fechei meus olhos para recordar bem e algumas lágrimas escaparam. Lembrei-me de seus pequenos dedos, com as unhas bem feitas e pintadas de um rosa claro, combinando com a tonalidade de sua boca, que moldava o mais belo sorriso que tive o prazer de contemplar.
Tive o prazer de fazer.
Seus olhos castanhos acompanhavam suas mãos atentamente, de vez em quando, ela também fechava os olhos a fim de sentir a sua boa música.
Enfim deixei a realidade invadir-me ao abrir os meus, e percebi o quanto aquele piano tornara-se seco e sem vida.

Nunca mais tocaria uma música sequer.

7 de abril de 2015

Derbake;



Ela ouvia o tilintar das pequenas moedinhas muito bem pregadas naquela seda de cor viva,
E quem usava sabia muito bem o que estava fazendo.
Permitiu que seu olhar pairasse sobre os quadris da moça,
Com os olhos atentos e aprendizes,
De quem procura extrair até a última gota de habilidade de seus movimentos.
Adorava aquilo.
Então fechou os olhos e permitiu que seus ouvidos se deliciassem com o tamborilar de instrumentos,
Mal percebeu,
E ela mesma estava a se movimentar.

[Da série: Amores que andei nutrindo. Qualquer dia desses você pode me ver por aí a balançar moedinhas também.]

2 de abril de 2015

(...)



É exatamente assim dessa forma que vejo:
O mundo lá fora é cinza e sem graça, petulante, nos obrigando a sair com esse frio e enfrentar tudo o que possa ocorrer.
E vai ocorrer.
Mas aqui dentro...
Ahh, aqui dentro!

É de uma satisfação tão intensa, que palavras não são o suficiente para explicar.

25 de março de 2015

Aqui está, esta pequena confissão de amor;

Mais uma vez as pequenas e rosadas flores caem pelo chão,
E são pisadas e ignoradas pelos pedestres que caminham pelas calçadas limpas e perfeitas,
Com os galhos de suas belas cerejeiras protegendo suas cabeças,
Enquanto o frio ar invernal se espalha até sumir,
Fico aqui do outro lado para recebê-lo,
Sem muito bom grado,
Não porque não gosto do frio,
Mas porque preferiria estar em outro lugar.

Mais um ano se passou,
Mais uma vez vocês florescem,
Anunciando a chegada da primavera,
E mais um ano para mim perdido.

Saudades de você,
Que nunca pude ver,
Não nesta vida.

Mas acredito que hora ou outra,
A gente vai se juntar,
E as senbonzakuras「千本桜」
Minha face irão beijar.

Te amo, arquipélago tão desejado.

19 de março de 2015

Recado para você;

Vamos deixar combinado:
Quem na vida só lhe prolifera atrasos,
Não merece estar no quadro,
Sorrindo com você ao lado.
Isso é enganação,
De cuzão,
Acontece sempre no mundão,
Mas aí,
Não leva isso pro seu coração, não.


Abraços.


[E desculpa aí pelo palavrão, não tive a intenção].

11 de março de 2015

Divagações sobre o que não entendemos;

Hoje o céu azul de fim de tarde foi substituído por um tom acinzentado que assustava as pessoas que passavam pela rua apressadas. Elas queriam chegar em casa antes da chuva que aguardava o melhor momento para despencar forte sobre o asfalto quente. Logo foram ouvidos raios estridentes e o céu foi iluminado por suas violentas riscas desenhadas no mesmo céu acinzentado.
Neste momento eu estava muito bem acomodada em uma cadeira bastante confortável e segurando uma xícara de café quente próximo à boca. Embora o estridente som dos trovões fosse um incômodo – principalmente para alguém que se assusta fácil – eles não conseguiram desviar minha atenção para um possível receio.
Minha mente estava longe.
Meu olhar pairava sobre uma árvore que balançava continuamente enquanto pancadas de água pareciam agredi-la, no entanto, meu pensamento viajava para o dia 6 de Março de três anos atrás. Naquele mês nós havíamos conversado pouco, no entanto, havia uma foto onde fui marcada em uma rede social que essa pessoa postara juntamente com algumas palavras de amor.
Meu coração apertou-se.
Sempre tive um elo muito significativo com minha família, talvez seja por isso que me pego pensando nisso com tanta frequência.
Por ser ingrata e achar que o tempo que passamos juntos foi pouco.
Mas voltando ao assunto, me peguei viajando no tempo – mais precisamente neste dia em questão – porque várias divagações me vieram à mente. Lembro que vi essa pessoa comentando sobre a morte e me perguntei com certa tristeza, se ela sabia de alguma forma que aquele ano seria marcado por todas as pessoas ao redor dela, como o ano de sua morte.
Senti saudades e também pensei na morte. Pensei nesta última passagem da vida com certa curiosidade à respeito do que penso sobre o após.
E descobri que não penso nada.
Mas meu coração aperta toda vez que penso naquele instante que, de repente, estávamos em dimensões diferentes,

E talvez jamais nos vejamos outra vez.

8 de março de 2015

08/03/2015



E de repente a vida dá uma dessas,

Em meio à toda escuridão, um lampejo de luz.

3 de março de 2015

Agruras da Paixão;

Apaixone-se por mim!
Estou minha rede a jogar,
Neste vasto mar em que me aventuro,
A você não posso alcançar.

Então debruço-me em madeira maciça,
Observando o alto mar,
As ondas vêm e vão,
Mas a você não vão chegar.
Quero naufragar,

E então de uma vez esse mártir terminar.


23 de fevereiro de 2015

Como se fosse minha;

Effy | via Tumblr

Existem as pessoas que fingem que não se importam, e as pessoas que de fato não se importam. Esse segundo tipo de pessoa costuma me assustar. Esse desinteresse pela vida e afins é algo que não consigo entender. Claro que algumas vezes todos nós estamos achando a vida um saco e tudo mais, mas essas pessoas não, elas aparentam estar entediadas sempre e demonstram isso omitindo parte do pouco que sentem.
Sempre pensei que fossem capazes de matar pessoas, já que coisas ruins e destrutivas saem de suas bocas com tanta facilidade... É capaz que alguém assim dê algumas facadas em alguém e se sinta aliviado, quem sabe... Quando a conheci de fato, ela brincava em um balanço velho enquanto eu contava as amarguras de minha vida, e na boa, ela nunca despejou isso em nenhum lugar. Fica dentro dela, esse sentimento guardado junto com todos os outros enquanto ela estampa um semblante agradável de se ver, porém, completamente destrutivo. Ela tragava aquele cigarro tranquilamente e sabia claramente que aquilo a mataria, não da forma que as outras pessoas sabem, como uma realidade meio distante. Ela esperava por isso. Certa vez ela disse que a vida era uma curta aventura, e que ela não sabia de fato para que servia, mas sabia que o grand finale era o que ela mais aguardava, mais para saber do que se tratava, como uma experiência mesmo. Essas palavras soavam normais para ela, como alguém que acaba de pedir um café, mas para mim, soou vazio, tão vazio que senti tristeza por vários dias enquanto pensava que a vida era uma merda. Ela tinha essa capacidade. Apesar de ser bastante jovem, e cheia de energia, ficava lá com seus devaneios de suicídio. Talvez ela ainda não saiba, mas provavelmente será uma suicida bem sucedida.
Essa idéia me assombra, mas em meu subconsciente ela é bem reconhecida, como se fosse algo completamente compreensível. A verdade é que me assustei quando a vi com seus olhos grandes de boneca e a alma entregue às sombras, e fiquei assombrada ao descobrir que compactuo com esta ideia.
Quase como se fosse minha.

19 de fevereiro de 2015

Sobre a Pressa;

crazy



(...) Ela disse que mudaria a sua vida, que assim desta maneira não poderia continuar;
Torceu os cabelos num coque alto, tirou o grampo da boca e disse que a mudança tinha que ocorrer,
Que faz parte da vida, de sua história.
Contou-me que iria se mudar,
Casa, hábitos, ares...
Disse que há muito sonhava com isso, e que precisava continuar.
Disse que, quem lhe falou que tinha todo o tempo do mundo, não sabe o quão curta é uma vida.

17 de fevereiro de 2015

17/02/2014



Algum dia você já parou para pensar em como é sentir amor?

Você já ficou com essa cisma atrás da orelha, de talvez nunca ter esbarrado com ele na rua?

13 de fevereiro de 2015

À Longo Prazo;



Annabele tinha dezesseis anos, mas aparentava treze! Com suas pernas separadas e corpo pequeno, desprovida de seios e bastante magra. Se passaria facilmente por uma criança, se não fosse seu olhar carregado de malícia, que a denunciava bem.
Pistoleira de outros carnavais, já sabia bem o que as meninas de sua idade estavam descobrindo agora.
Eu sabia.
Achava engraçado quando sorria, sua risada então, era mais engraçada que a piada. Não tinha nenhum receio de mostrar seus dentes levemente tortos para demonstrar algum tipo de satisfação ou uma ironia, que era rotina. Gostava deles pressionando seu lábio inferior, quando ela estava quase no céu.
Annabele não tinha nada que à primeira vista agradasse alguém com bom gosto para mulheres, a não ser que se deixasse mergulhar no azul de seus olhos, que também afogavam. Ali estava todo o seu poder de persuasão, que ela usava bem. Ali percebia-se que ela podia ter mais de dezesseis, que ela podia ter mil anos, de pura experiência.
Mas era curiosidade, uma curiosidade escondida.
Seus olhos já me causaram muitos problemas.
Mas não havia nada que ela me pedisse, que eu não faria. Na realidade, é assim que as coisas acontecem. Não acredito em nada à primeira vista.
Foi assim, deixei chegar, era meiga, meio sagaz e com os dentes pequenos. Abria a boca para falar e encantava. Tornou-se rotina, envolveu-me com seu véu.
Tornou-se linda, lindíssima.

8 de fevereiro de 2015

-


Como é chamado esse tipo de amor que dá vontade de matar pessoas? 

23 de janeiro de 2015

Retrospecto;


Esse ano (?) o retrospecto saiu um pouco tarde, por motivos de: reflexões rotineiras, que aliás, o ano que se passou  foi especialista.


O ano de 2014 foi reflexão. Foi um pequeno mártir eterno onde pude perceber onde havia errado e acertado todo esse tempo, e claro, foram mais erros do que acertos – Desvantagens de ser nova na rodovia da vida – pude reconhecer características ruins sobre mim e as pessoas que me rodeiam, e descobri até que ponto eu posso insistir em algo que me machuca.
Até o fechamento do antigo ano, eu ainda estava presa a um encantamento surgido das profundezas do inferno que embaçou minha visão por um longo tempo, mas aparentemente tenho tentado resolver. Também tentei me dedicar a várias artes e uma delas coube direitinho em minha alma, a outra nasceu comigo e estou tentando desenvolver enquanto redijo esse aglomerado de palavras.

Tenho tentado no fim das contas encontrar finalmente o meu eixo, e acabei por descobrir que estou sozinha nessa e em muitas empreitadas, isso normalmente me machuca, mas acho que aprendi, a solidão nunca me abandonou, e sou grata a ela por isso, descobri a importância do silêncio e o meu valor.