23 de fevereiro de 2015

Como se fosse minha;

Effy | via Tumblr

Existem as pessoas que fingem que não se importam, e as pessoas que de fato não se importam. Esse segundo tipo de pessoa costuma me assustar. Esse desinteresse pela vida e afins é algo que não consigo entender. Claro que algumas vezes todos nós estamos achando a vida um saco e tudo mais, mas essas pessoas não, elas aparentam estar entediadas sempre e demonstram isso omitindo parte do pouco que sentem.
Sempre pensei que fossem capazes de matar pessoas, já que coisas ruins e destrutivas saem de suas bocas com tanta facilidade... É capaz que alguém assim dê algumas facadas em alguém e se sinta aliviado, quem sabe... Quando a conheci de fato, ela brincava em um balanço velho enquanto eu contava as amarguras de minha vida, e na boa, ela nunca despejou isso em nenhum lugar. Fica dentro dela, esse sentimento guardado junto com todos os outros enquanto ela estampa um semblante agradável de se ver, porém, completamente destrutivo. Ela tragava aquele cigarro tranquilamente e sabia claramente que aquilo a mataria, não da forma que as outras pessoas sabem, como uma realidade meio distante. Ela esperava por isso. Certa vez ela disse que a vida era uma curta aventura, e que ela não sabia de fato para que servia, mas sabia que o grand finale era o que ela mais aguardava, mais para saber do que se tratava, como uma experiência mesmo. Essas palavras soavam normais para ela, como alguém que acaba de pedir um café, mas para mim, soou vazio, tão vazio que senti tristeza por vários dias enquanto pensava que a vida era uma merda. Ela tinha essa capacidade. Apesar de ser bastante jovem, e cheia de energia, ficava lá com seus devaneios de suicídio. Talvez ela ainda não saiba, mas provavelmente será uma suicida bem sucedida.
Essa idéia me assombra, mas em meu subconsciente ela é bem reconhecida, como se fosse algo completamente compreensível. A verdade é que me assustei quando a vi com seus olhos grandes de boneca e a alma entregue às sombras, e fiquei assombrada ao descobrir que compactuo com esta ideia.
Quase como se fosse minha.

19 de fevereiro de 2015

Sobre a Pressa;

crazy



(...) Ela disse que mudaria a sua vida, que assim desta maneira não poderia continuar;
Torceu os cabelos num coque alto, tirou o grampo da boca e disse que a mudança tinha que ocorrer,
Que faz parte da vida, de sua história.
Contou-me que iria se mudar,
Casa, hábitos, ares...
Disse que há muito sonhava com isso, e que precisava continuar.
Disse que, quem lhe falou que tinha todo o tempo do mundo, não sabe o quão curta é uma vida.

17 de fevereiro de 2015

17/02/2014



Algum dia você já parou para pensar em como é sentir amor?

Você já ficou com essa cisma atrás da orelha, de talvez nunca ter esbarrado com ele na rua?

13 de fevereiro de 2015

À Longo Prazo;



Annabele tinha dezesseis anos, mas aparentava treze! Com suas pernas separadas e corpo pequeno, desprovida de seios e bastante magra. Se passaria facilmente por uma criança, se não fosse seu olhar carregado de malícia, que a denunciava bem.
Pistoleira de outros carnavais, já sabia bem o que as meninas de sua idade estavam descobrindo agora.
Eu sabia.
Achava engraçado quando sorria, sua risada então, era mais engraçada que a piada. Não tinha nenhum receio de mostrar seus dentes levemente tortos para demonstrar algum tipo de satisfação ou uma ironia, que era rotina. Gostava deles pressionando seu lábio inferior, quando ela estava quase no céu.
Annabele não tinha nada que à primeira vista agradasse alguém com bom gosto para mulheres, a não ser que se deixasse mergulhar no azul de seus olhos, que também afogavam. Ali estava todo o seu poder de persuasão, que ela usava bem. Ali percebia-se que ela podia ter mais de dezesseis, que ela podia ter mil anos, de pura experiência.
Mas era curiosidade, uma curiosidade escondida.
Seus olhos já me causaram muitos problemas.
Mas não havia nada que ela me pedisse, que eu não faria. Na realidade, é assim que as coisas acontecem. Não acredito em nada à primeira vista.
Foi assim, deixei chegar, era meiga, meio sagaz e com os dentes pequenos. Abria a boca para falar e encantava. Tornou-se rotina, envolveu-me com seu véu.
Tornou-se linda, lindíssima.

8 de fevereiro de 2015

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Como é chamado esse tipo de amor que dá vontade de matar pessoas?