13 de fevereiro de 2015

À Longo Prazo;



Annabele tinha dezesseis anos, mas aparentava treze! Com suas pernas separadas e corpo pequeno, desprovida de seios e bastante magra. Se passaria facilmente por uma criança, se não fosse seu olhar carregado de malícia, que a denunciava bem.
Pistoleira de outros carnavais, já sabia bem o que as meninas de sua idade estavam descobrindo agora.
Eu sabia.
Achava engraçado quando sorria, sua risada então, era mais engraçada que a piada. Não tinha nenhum receio de mostrar seus dentes levemente tortos para demonstrar algum tipo de satisfação ou uma ironia, que era rotina. Gostava deles pressionando seu lábio inferior, quando ela estava quase no céu.
Annabele não tinha nada que à primeira vista agradasse alguém com bom gosto para mulheres, a não ser que se deixasse mergulhar no azul de seus olhos, que também afogavam. Ali estava todo o seu poder de persuasão, que ela usava bem. Ali percebia-se que ela podia ter mais de dezesseis, que ela podia ter mil anos, de pura experiência.
Mas era curiosidade, uma curiosidade escondida.
Seus olhos já me causaram muitos problemas.
Mas não havia nada que ela me pedisse, que eu não faria. Na realidade, é assim que as coisas acontecem. Não acredito em nada à primeira vista.
Foi assim, deixei chegar, era meiga, meio sagaz e com os dentes pequenos. Abria a boca para falar e encantava. Tornou-se rotina, envolveu-me com seu véu.
Tornou-se linda, lindíssima.

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