27 de julho de 2015

Relatos Do Que Não Ocorreu;


Para o garoto que conheci no Bambas.

Talvez, num dia de sol desses, daqui há alguns anos, você se lembre de mim.
Irá se sentar no seu sofá, na sua sala e, enquanto seu filho monta pecinhas lego, ou desenha em uma folha branca no chão, você vê no seu canal favorito de esportes uma notícia que, estranhamente te fará lembrar que eu detestaria saber que você estaria vendo aquilo. Você iria se lembrar de minhas palavras: "poxa vida, você não tem coisa melhor para fazer?"ou "Esse tipo de programa interfere na sua capacidade mental". Talvez sua mente te lembre o quanto eu era tinhosa, ou birrenta, que odiava estar errada ou que eu poderia ter sido menos desagradável, ou talvez ela te lembre desses mesmos dias de sol que passamos de mãos dadas dando voltas pelo centro da cidade, para que eu pudesse ver ou comer algo que estava morrendo de vontade e que provavelmente envolvia a cultura japonesa.
Talvez, quando você se lembrar de tudo isso, você esboce um sorriso, por lembrar de coisas boas, ou talvez agradeça por todo aquele mártir ter tido um fim afinal, já que reclamávamos tanto...Talvez, quando você se lembrar de mim, tenha vontade de saber como estou, se ainda estou, ou se há muito deixei de estar, ou se consegui por fim me emendar, se consegui me mudar...
Quando se lembrar de mim, espero que consiga se lembrar das vezes que até mesmo de forma negativa tentei te incentivar que, a vida sem um propósito não nos leva a nada, é um caminho triste e vago que nos trás somente uma saída. Espero que quando se lembrar de mim, você tenha alcançado todos os seus propósitos, e que sinta mesmo de tão longe, o gosto adocicado destas e de muitas outras palavras que você mesmo inspirou, e que talvez nunca venha a ler, por falta de tempo, ou até mesmo de vontade, por diversos motivos.
Espero principalmente que, quando você se lembre de mim, você esteja bem, que não carregue sequela nenhuma do que disse ou demonstrei, ou até mesmo provei para você. Saiba que você nunca teve culpa, a vida sempre fora um tanto azeda para mim desde muito nova, e as questões que carrego ou carreguei sempre foram responsabilidade minha.
Então, quando se lembrar de mim, lembre principalmente que te amei, e isso foi o melhor que pude fazer por mim mesma, foi carregar algo bom dentro de mim, por todo esse tempo.

21 de julho de 2015

21/07/2015

Estou a desabrochar.
Como uma frágil cerejeira que acaba de contemplar a primavera,
E sente o calor do sol.
Uma borboleta na emoção do primeiro voo,
No vislumbre de sua aparência...
Há coisas em mim que não podem mais ser escondidas,

O mundo precisa saber quem eu sou.