26 de agosto de 2015

Cair da Lua;

O som suave e delicado das primeiras notas tocadas naquele piano velho na sala de jantar, colocado ali apenas para animar convidados, já não transmitia a mesma tranqüilidade de alguns anos atrás, ou a fazia lembrar de vários momentos de sua infância, agora ele se transformara na representação cruel de que o mundo talvez não fizesse mais sentido, e que o melhor a fazer é dar fim à própria vida, do que viver esse pesadelo que havia a abraçado e não queria mais soltar. Sentiu suas lágrimas de desespero mais salgadas do que nunca, apertou o corrimão com certa força, cravando suas unhas em madeira maciça, sentindo-se completamente vulnerável.
Ninguém poderia ajudá-la.
Pensou naquela quantidade de garotas chorando, implorando para não morrerem daquela maneira, seu coração parou por um instante. Um toque de bondade abateu seu ser pela primeira vez, e ela pôde se arrepender. Mas agora era tarde, a vida havia enviado um demônio para mostrá-la que até o predador mais poderoso da cadeia alimentar deveria sentir medo. Ela havia criado um demônio, não sabia muito bem como, de que maneira isso aconteceu, mas sabia que agora seu próximo caminho seria a morte. 
Observou a linda garota tocar seu piano, ela sequer parecia notar sua presença, mas ela sabia que estava sendo observada, mesmo não estando com seus olhos presos à sua imagem sobre a escada. Não se pode esconder nada de um demônio. Sua pele clara parecia fria como mármore, em contraste perfeito com seu vestido negro, com detalhes vermelhos. Sua boca rosada, como de uma princesa, uma linda princesa à espera de seu beijo, para poder despertar de seu transe horrível e viver um lindo sonho de amor.
Mas ninguém acordou, ao contrário, o mundo estava cada vez mais próximo do fim e nenhum de nós parecia ser digno de salvação.

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